Mudança no Cenário de Informação Política
A mais recente pesquisa do instituto Quaest, divulgada em janeiro de 2026, revelou um dado inovador nas análises que cercam o consumo de informação política entre os brasileiros. Se não se tratar de um erro estatístico, a pesquisa mostrou uma mudança significativa nos hábitos de como a população se informa sobre política. Em dezembro do ano anterior, 35% dos entrevistados afirmavam que utilizavam a TV como fonte principal de informação, enquanto um percentual equivalente também recorria às redes sociais. Contudo, a nova pesquisa aponta que 39% dos brasileiros agora preferem as redes para se informar, superando os 34% que ainda optam pela televisão.
Historicamente, a TV sempre foi a líder no consumo de notícias políticas, conforme a série de levantamentos iniciada em maio de 2024. Embora em algumas ocasiões os dois meios tenham apresentado resultados equiparados dentro da margem de erro, essa nova pesquisa sugere que um novo padrão pode estar emergindo. Seria isso uma simples flutuação estatística ou o reflexo de uma mudança mais duradoura? Tudo indica que apenas as próximas pesquisas poderão confirmar essa tendência.
Impacto em um Ano Eleitoral
Os hábitos de consumo de informação têm um papel crucial, especialmente em um ano eleitoral em que partidos políticos precisam se adaptar às novas dinâmicas de comunicação. Ao questionar os entrevistados sobre suas percepções em relação às notícias sobre o governo Lula, os dados da pesquisa iniciada em dezembro de 2024 revelam uma maior disposição para reportagens consideradas “mais negativas” do que “mais positivas”. Essa diferença destaca as complexidades do consumo de informações em um ambiente político polarizado.
De acordo com a pesquisa, eleitores que se identificam como “Lulistas” e “Esquerda não lulista” tendem a ver uma quantidade maior de notícias positivas, variando entre 54% e 62%. Já os “Independentes” demonstram uma percepção inversa, considerando que 45% das notícias são mais negativas, enquanto apenas 19% as veem de forma positiva. Esse fenômeno é ainda mais acentuado entre os eleitores da “Direita não bolsonarista” e os “Bolsonaristas”, com 76% destes últimos relatando ver notícias predominantemente negativas.
A Influência da Ideologia nas Preferências de Consumo
Esse comportamento observado não é novidade na ciência política: eleitores frequentemente “veem” a realidade através das lentes de suas convicções pessoais e ideológicas. Num cenário repleto de informações, essa tendência se torna ainda mais evidente. O aumento de canais digitais multiplicou a oferta de conteúdos, o que leva a um consumo altamente segmentado. Nesse contexto, os eleitores buscam informações que corroboram suas crenças, criando um círculo vicioso onde suas preferências políticas são cada vez mais rígidas.
Mapeamento do Consumo de Informação Política
Ao analisar os grupos que preferem a televisão em comparação aos que se identificam como digitais (redes sociais, sites e portais), percebe-se que a direita política se destaca mais no ambiente digital do que a esquerda. Os “Lulistas” aparecem na parte superior do gráfico de consumo, evidenciando uma preferência acentuada pela TV. No centro, os eleitores “Independentes”, a “Esquerda não lulista” e os “Bolsonaristas” mostram comportamentos que variam entre os meios tradicionais e digitais.
Essa distribuição sugere que a comunicação política no Brasil está em um estágio de transformação tecnológica. Embora a transição para as redes sociais esteja se consolidando, a comunicação eleitoral de 2026 ainda enfrentará o desafio de dialogar com um modelo híbrido. Esse modelo é composto não apenas pelo digital, mas também por preferências significativas por meios analógicos entre muitos eleitores. O simples ato de optar pela hipersegmentação digital não garante um resultado positivo: embora esse método possa funcionar bem para grupos ideologicamente alinhados, é crucial considerar a diversidade de canais disponíveis que atendem a eleitores que, embora digitais, apresentam uma identidade política não tão firmemente estabelecida.
