Mudanças no Departamento de Estado
O governo Trump está promovendo uma reestruturação significativa no Departamento de Estado dos Estados Unidos, ao decidir remover diversos embaixadores de carreira de seus postos no exterior. Essa decisão, que afeta cerca de 20 diplomatas de alto escalão, representa mais uma etapa da política de “América First”. Fontes confirmaram à CNN que esses embaixadores, indicados durante a administração Biden, estão sendo informados sobre suas demissões, que ocorrerão ao longo do próximo mês.
Tradicionalmente, embaixadores de carreira servem por longos períodos, em média de três a quatro anos, e sua permanência não usualmente é influenciada pela troca de governo. No entanto, em uma declaração, um funcionário do Departamento de Estado defendeu o processo de remoção como sendo padrão em qualquer administração. “Um embaixador é um representante pessoal do Presidente, e o Presidente tem o direito de assegurar que sua agenda seja promovida nos países onde estão alocados”, afirmou. Entretanto, ex-diplomatas consideram esta situação sem precedentes.
Um Processo Sem Precedentes
Eric Rubin, diplomata aposentado e ex-presidente da Associação Americana do Serviço Exterior, comentou que “isso nunca ocorreu nos 101 anos de história do Serviço Exterior dos EUA”. Ele observou que, tradicionalmente, a maioria dos embaixadores de carreira mantinha seus cargos até que seus sucessores fossem confirmados pelo Senado. A atual situação, segundo ele, é alarmante, uma vez que mais da metade das embaixadas dos EUA no exterior podem ficar sem um embaixador confirmado.
Rubin classificou essa decisão como um “grave insulto” aos países afetados e um “enorme presente para a China”. A avaliação é de que a demissão de embaixadores talentosos e experientes pode prejudicar significativamente a diplomacia americana. “Estamos perdendo profissionais qualificados e respeitados”, acrescentou. “Isso é ruim para nossa diplomacia, para nossa segurança nacional e para nossa influência global.”
Reações e Implicações
O sindicato dos diplomatas, a AFSA, recebeu relatos de que os embaixadores de carreira estão sendo instruídos a deixar seus postos até os dias 15 ou 16 de janeiro, mas sem qualquer justificativa aparente para essa decisão. Em um comunicado, a associação alertou que essa remoção sem causa evidencia uma mensagem perigosa: “Os compromissos dos Estados Unidos podem mudar conforme as circunstâncias políticas”.
A AFSA enfatizou que essa situação mostra que a lealdade ao país não é mais suficiente, dando preferência à lealdade política em detrimento da experiência e do compromisso com a Constituição. “Este não é o modo como os Estados Unidos devem liderar”, declarou a organização.
Impacto Global e Reestruturação
A maioria dos embaixadores afetados está alocada em postos na África, mas as demissões também atingem missões na Europa, Ásia, Oriente Médio e Hemisfério Ocidental. Esta decisão se alinha com a reestruturação mais ampla do Departamento de Estado, que já viu a perda de mais de 1.300 funcionários, incluindo mais de 240 diplomatas, neste ano. Sob a liderança do Secretário de Estado, Marco Rubio, o departamento focou em priorizar as agendas do governo Trump, como a redução da imigração e uma abordagem menos centrada nos direitos humanos.
Um relatório da AFSA revelou que as mudanças no governo Trump têm afetado negativamente a capacidade dos diplomatas de executar suas funções. Desde janeiro, cerca de 25% dos diplomatas pediram demissões ou aposentadorias, e muitos mais estão considerando deixar o serviço. Apesar disso, Rubio procurou minimizar as preocupações levantadas no relatório, afirmando que a autonomia dos diplomatas está em alta e que a abordagem da administração é voltada para maior eficiência nas missões.
Com a situação atual, a diplomacia americana enfrenta um momento crítico. A maneira como essas mudanças serão geridas pode ter repercussões significativas na forma como os Estados Unidos se relacionam com o mundo.
