Programação do Agronegócio no SPIW
O agronegócio terá um espaço destacado durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), evento que promete trazer uma discussão abrangente sobre a importância do Brasil na economia global e no sistema alimentar. Sob a orientação de Marcos Jank, colunista do Estadão e coordenador do núcleo de agronegócio no Insper, juntamente com Ana Paula Malvestio, fundadora da Hólon Consultoria em Governança e consultora de empresas do setor, a programação reunirá empresários, acadêmicos e executivos. O foco será debater temas variados, que vão desde geopolítica até inovações tecnológicas em campo.
“Para garantir uma produção eficiente de itens como soja, milho, algodão e carne, é imprescindível o uso de diversas tecnologias, como genética, manejo, e insumos específicos”, explica Jank. “No SPIW, abordaremos as inovações em agricultura de precisão, onde a aplicação localizada de produtos pode levar a uma redução de até 70% no uso de pesticidas”, completa.
Conectividade e Sustentabilidade no Campo
Outro assunto de destaque será o avanço da conectividade no campo. Jank ressalta que o Brasil tem se destacado na implementação de tecnologias de georreferenciamento, essenciais para o controle territorial e combate ao desmatamento ilegal. “Atualmente, utilizamos monitoramento via satélites, o que nos coloca em uma posição privilegiada em relação a outros países que dependem de tecnologia externa. Nos trópicos, adaptamos as inovações para atender às nossas necessidades”, afirma Jank.
No primeiro dia do evento, a ênfase será em inovação e sustentabilidade. Painéis como “Do solo ao token: como o digital está impactando o agro” e “Empreendedorismo: onde inovação e sustentabilidade se encontram” discutirão como as tecnologias emergentes, que vão de plataformas digitais à tokenização de ativos, estão remodelando a dinâmica do setor. Além disso, sessões sobre bioenergia e liderança destacarão o papel de modelos já estabelecidos que ganham nova relevância em um cenário de mudanças climáticas e busca por eficiência.
Uma Visão Sistêmica da Alimentação
Na sequência, o dia 14 trará uma perspectiva mais integrada sobre o futuro da alimentação. Temas como produtividade, comunicação e a percepção do agro mundialmente — com o debate intitulado “Agro: herói ou vilão?” — buscarão abordar não apenas desafios técnicos, mas também questões ligadas à reputação do setor. Ademais, os painéis discutirão a problemática do desperdício de alimentos e a eficiência nas cadeias alimentares.
Geopolítica e Estratégia no Agronegócio
O dia 15, por sua vez, ganhará uma abordagem mais voltada para a geopolítica e estratégia. Painéis como “Diplomacia dos alimentos: o agronegócio na nova ordem global” e “Geopolítica, mercados e poder: o novo jogo do agro brasileiro” colocarão o Brasil como protagonista em um cenário internacional, onde alimentos, energia e commodities tornam-se instrumentos de influência global. A presença de especialistas e líderes do setor reforça a ideia de que o agronegócio é uma ferramenta de política externa e poder.
Um ponto importante a ser destacado é a crescente valorização da sustentabilidade como um diferencial competitivo. O painel “Agro regenerativo: quando fazer o bem vira vantagem competitiva” sintetiza essa transformação de mentalidade: as práticas ambientais, que antes eram vistas como custos, agora são consideradas alavancas de valor no mercado internacional.
