Steve Hackett e Suas Conexões com a Música Brasileira
O icônico guitarrista Steve Hackett, famoso por sua passagem pelo Genesis, está de volta ao Brasil, onde apresentará clássicos da banda e suas composições solo. Em meio a memórias nostálgicas da década de 1970, ele destaca sua admiração por artistas brasileiros, como Ney Matogrosso e o violonista Rafael Rabello. A conversa com Hackett revela sua visão sobre a evolução musical e a vitalidade das apresentações ao vivo na era digital.
No período em que foi integrante do Genesis, entre 1971 e 1977, Hackett ajudou a consolidar o grupo como ícone do rock progressivo. Hoje, aos 76 anos, ele repleta de humor suas lembranças de época. “Uma festa nos anos 70 era marcada por pessoas fumando e ouvindo o álbum ‘The Dark Side of the Moon’, do Pink Floyd”, comenta, sorrindo por videoconferência de sua residência em Londres, poucos dias antes de seus shows no Brasil. Ele acrescenta: “Os dias em Londres têm sido cinzentos, mereço um pouco de sol!”
Hackett traz ao Brasil não apenas seu repertório clássico, mas também músicas de sua carreira solo, acompanhado da banda argentina Genetics, conhecida por suas interpretações dos sucessos do Genesis. Ele se apresentará no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, neste sábado (21), e no Espaço Unimed, em São Paulo, no domingo (22).
A decisão de revisitar esses clássicos é justificada por Hackett com uma reflexão sobre a importância das composições. “O que Beatles e Genesis têm em comum, embora não sejam comparáveis, é a qualidade de suas músicas. As pessoas cultivam carinho pelas canções que marcaram suas vidas”, diz.
Durante suas apresentações, ele pretende realizar a famosa “Supper’s Ready”, um épico de 23 minutos que, segundo ele, é um marco do rock progressivo. “Naquela época, eu acreditava que se tivéssemos um show de luzes e uma música longa, o público embarcaria na experiência. É preciso lembrar que era uma era pré-videoclipes, onde os álbuns eram extremamente valiosos para os fãs”, destaca.
Com o passar dos anos, a tecnologia transformou a forma como a música é produzida. Hackett observa que, atualmente, criar um sucesso pode ser tão simples quanto juntar duas pessoas, um computador e um cantor. “Agora, a inteligência artificial pode fazer praticamente tudo”, aponta. Contudo, ele enfatiza que a experiência de ouvir música ao vivo ainda é única: “As pessoas querem sentir a magia da performance real, algo que não pode ser replicado pela produção em massa. Precisamos de momentos artísticos que vão além do oferecimento fast food de música”.
O retorno ao Brasil também possibilita a Hackett reencontrar amigos. “Trabalhei novamente com Richard Court, o Ritchie, que regravou uma de nossas canções de sucesso, ‘Voo de Coração’. Estou regravando as partes de guitarra e a nova versão está belíssima. A original foi gravada rapidamente, sem que esperássemos tanto sucesso. Uma vez, enquanto subia o Morro da Urca, ouvi a música tocar e fiquei muito honrado”, relembra.
Hackett tem uma longa história com o Brasil, tendo atuado em 1977 com o Genesis e até gravado um álbum solo no país, ‘Till We Have Faces’, de 1984, com a colaboração de músicos brasileiros. “Quando gravei, tive que abrir mão da ideia de controle absoluto. Quis criar um álbum que fosse uma verdadeira imersão rítmica, e isso me ensinou muito”, diz ele.
O guitarrista destaca o talento dos músicos brasileiros, afirmando que muitos deles produzem sons impressionantes com simplicidade. “Havia músicos que tocavam com apenas um tambor e eram capazes de criar algo mágico. Isso mudaria minha percepção sobre a percussão e a capacidade dela de compor uma obra musical”, diz.
Por fim, Hackett recorda uma conversa interessante com Brian May, guitarrista do Queen, durante o Rock in Rio de 1985. “Dissemos que éramos fãs do Ney Matogrosso. Ney sempre tocou com músicos excepcionais, e um deles foi Rafael Rabello, que teve uma forte influência em minha vida musical”, conclui Steve Hackett, deixando claro seu apreço e conexão com a rica cultura musical brasileira.
