Rejeição à Taxa Mínima de Entregas
Recentemente, o ministro Guilherme Boulos anunciou a intenção do governo de instituir uma taxa mínima de R$ 10 para cada entrega realizada por aplicativos, além de R$ 2,50 por quilômetro adicional após os quatro primeiros quilômetros. Uma pesquisa realizada revelou que 76% dos entrevistados estão cientes dessa proposta, enquanto 24% afirmaram não conhecê-la.
Entre os que conhecem a proposta, 78% acreditam que a mudança resultará em um aumento nos preços das entregas, apenas 17% acham que os valores permanecerão os mesmos, e 5% esperam uma diminuição nos preços.
Outro ponto destacado na pesquisa é o impacto que essa mudança teria sobre diferentes camadas sociais. Um impressionante 86% dos participantes acredita que as pessoas mais pobres seriam as mais afetadas, enquanto 14% consideram que o impacto seria maior para os mais ricos.
O levantamento foi realizado em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), ouvindo 1.031 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 13 e 16 de março. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Em relação à necessidade de regulamentação do trabalho dos entregadores, Fernando Blower, Presidente Executivo da ANR, afirmou que é essencial encontrar um equilíbrio que proteja tanto os trabalhadores quanto a sustentabilidade do setor. “A pesquisa revela que a população não está a favor da proposta, especialmente considerando o impacto potencial nos preços. Afixar valores mínimos pode prejudicar os consumidores, especialmente os mais vulneráveis, e pressionar a operação de pequenos bares e restaurantes que dependem do delivery”, disse Blower.
Resultados da Pesquisa
Os entrevistados foram questionados sobre sua posição em relação à proposta de taxa mínima para pedidos de entrega em aplicativos como Ifood, 99food, Rappi, Aiqfome e Keeta. Os resultados mostraram que:
- A favor: 29% dos entrevistados;
- Contra: 71% dos entrevistados.
Outro questionamento abordou a expectativa quanto aos preços dos pedidos feitos por aplicativo caso a proposta seja aprovada:
- Subir: 78% dos entrevistados;
- Ficar igual: 17%;
- Diminuir: 5%.
Quando perguntados sobre quem seria mais afetado pelo aumento nos custos das entregas, 86% dos entrevistados indicaram que as pessoas mais pobres seriam as mais impactadas, enquanto apenas 14% acreditam que os mais ricos seriam os mais afetados.
A pesquisa ainda indagou os entrevistados se estariam dispostos a pagar mais pelas entregas caso a proposta fosse aprovada. Surpreendentemente, 29% disseram que sim, enquanto 71% afirmaram que não pagariam um valor maior.
Por fim, ao serem questionados sobre se o governo federal deveria focar mais ou menos na criação de novas regras para o setor, 40% acreditam que deveria se preocupar mais, enquanto 60% opinaram que o governo deveria se preocupar menos.
As respostas da pesquisa revelam um descontentamento generalizado com a proposta de taxa mínima, evidenciando uma preocupação com o impacto que essa medida pode ter sobre a população, especialmente os mais vulneráveis economicamente.
