Armadilha Política: O Veto e suas Consequências
Aliados de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, afirmam que a cúpula do Congresso está em movimento para derrubar um possível veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao polêmico projeto da dosimetria. Esta proposta, que foi aprovada no final de 2025, oferece benefícios a condenados por ataques golpistas.
O ambiente político está carregado de expectativas, especialmente com o ato organizado pelo governo para marcar os três anos dos ataques antidemocráticos, programado para esta quinta-feira. Neste evento, há uma grande expectativa de que Lula formalize seu veto, um gesto que poderia intensificar as tensões com os parlamentares, em especial na Câmara, onde o projeto contou com um respaldo expressivo.
Motta e Alcolumbre já manifestaram que possuem o número mínimo necessário de votos para reverter a possível decisão de Lula em uma sessão do Congresso. Essa articulação é lida como um movimento estratégico, sinalizando cautela institucional ao mesmo tempo em que evita um confronto direto com o governo.
Divisões e Estratégias no Congresso
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), próximo a Motta, acredita que o Congresso está preparado para derrubar o veto, que ele considera um ‘desrespeito ao legislativo’. Ciro destaca que, com mais de 300 votos favoráveis na Câmara, a proposta da dosimetria tem um forte respaldo, e caso o veto seja confirmado, sua anulação deverá ser rápida.
— O veto será facilmente derrubado. Lula está usando isso como uma bandeira política e simbólica, mais do que por razões pragmáticas. Sua posição não se sustenta. Por isso, é compreensível que Hugo e Alcolumbre optem por não comparecer ao evento que pode sacramentar essa medida, que desafia o Parlamento — explica Nogueira.
Os números refletem a força da proposta: na Câmara, a dosimetria teve 291 votos a favor e 148 contra, enquanto no Senado o placar foi de 48 a 25. Para que um veto presidencial seja derrubado, são necessários, no mínimo, 257 votos de deputados e 41 senadores.
Contexto Tenso entre Executivo e Legislativo
A situação atual destaca como a discussão em torno da dosimetria tem impactado a dinâmica política desde os eventos de 8 de janeiro, quando ataques antidemocráticos marcaram a história recente do Brasil. O ato de memória e repúdio em relação a essas invasões não contou com a presença de Motta e Alcolumbre, o que pode ser interpretado como uma estratégia para evitar uma adesão explícita aos gestos simbólicos do governo.
Essa ausência simultânea é vista como uma forma de demonstrar a posição dos líderes do Legislativo, que buscam reforçar a independência do Congresso frente a um Executivo que tem se mostrado cada vez mais assertivo. A relação entre esses dois poderes, portanto, continua a ser testada, e a forma como a situação da dosimetria será tratada pode definir os rumos políticos dos próximos meses.
