Produção Audiovisual com Olhar Juvenil
Dois curtas-metragens realizados por jovens das regiões do Pará e Maranhão estão disponíveis gratuitamente na plataforma do Cultura na Praça. As obras, intituladas “Além do Que se Vê” e “Descobrindo o Meu Passado”, nasceram das oficinas de cinema da 8ª edição do projeto e podem ser assistidas em culturanapraca.art.br, com recursos de acessibilidade como audiodescrição, legendas descritivas e tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais).
Os filmes partem das vivências e perspectivas dos próprios jovens sobre seus territórios. “Além do Que se Vê” foi produzido no bairro Vale da Bênção, em Canaã dos Carajás (PA), enquanto “Descobrindo o Meu Passado” surgiu na comunidade Novo Oriente, em Açailândia (MA). Durante as oficinas, participantes entre 13 e 19 anos tiveram contato com todas as etapas da produção audiovisual.
Formação e Expressão Cultural
A experiência prática passou por roteiro, direção, captação de imagens e som, atuação e edição. Para Cris Azzi, cineasta e coordenador do projeto, os curtas revelam olhares únicos sobre as comunidades. “Quando esses jovens transformam suas experiências em cinema, vão além da técnica: constroem memória, fortalecem a identidade e mostram que suas histórias merecem espaço nas telas”, destacou Azzi.
Ele complementa que cada curta convida a conhecer modos diversos de viver e perceber o mundo, sempre a partir de quem vivencia essas realidades.
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Protagonismo e Sonhos de Jovens Realizadores
Entre os jovens, Marcela de Oliveira Araújo, 15 anos, estudante do ensino médio, participou da produção de “Além do Que se Vê”. O curta retrata o cotidiano de uma pessoa com deficiência visual, provocando reflexões sobre respeito, inclusão e direitos iguais.
Marcela, apaixonada por cinema e com o desejo de cursar a área na universidade, encontrou nas oficinas do Cultura na Praça uma oportunidade para dar os primeiros passos. “Eu esperava aprender sobre filmes, mas viver essa experiência superou minhas expectativas”, contou.
Ela relata que a vivência ampliou sua percepção sobre o próprio potencial. “Conhecer equipamentos, entender a produção e participar das filmagens me mostrou que meu sonho é possível. Encaro o cinema como meio de dar voz e contar histórias que podem transformar vidas”, afirmou.
Histórias que Entrelaçam Memória e Identidade
Os curtas apresentam narrativas sensíveis que exploram diferentes realidades. “Além do Que se Vê” acompanha um dia na vida de Afonso, em Canaã dos Carajás, estimulando o público a refletir sobre diversas formas de enxergar o mundo. Já “Descobrindo o Meu Passado” mistura realidade e ficção ao seguir Lucas numa investigação sobre a história da comunidade Novo Oriente, em Açailândia. Ao ouvir relatos das mulheres mais velhas, ele descobre segredos do passado e se aproxima de uma história familiar.
Impacto Cultural e Socioeconômico do Projeto
Com esses lançamentos, o Cultura na Praça chega a 50 curtas-metragens produzidos, todos disponíveis gratuitamente no portal. Além dos filmes, o projeto oferece o Programa Educativo Cultura na Praça, que organiza os títulos em sete eixos temáticos, acompanhados de sugestões para uso em escolas públicas.
Desde 2017, a iniciativa promove formação e difusão cinematográfica por meio de oficinas gratuitas e mostras itinerantes no interior do Pará e Maranhão. Fundada na ideia de que a educação cultural impulsiona transformações socioeconômicas, o projeto estimula o protagonismo juvenil, envolve comunidades e valoriza patrimônios regionais, contribuindo para o desenvolvimento local.
Além disso, o Cultura na Praça fomenta geração de trabalho e renda ao priorizar a contratação de profissionais e fornecedores das regiões atendidas, fortalecendo a economia local.
O projeto é patrocinado pela Vale, via Lei Rouanet, em parceria com o Instituto Tatajuba, e realizado pela Vivas Cultura e Esporte junto ao Ministério da Cultura.
