Disputa pelo Palácio dos Leões reúne oito candidatos e expõe divisões políticas
O Maranhão enfrenta uma corrida eleitoral marcada pela fragmentação do grupo político que assumiu o governo em 2015 com Flávio Dino. O mandato de Carlos Brandão chega ao fim em 2026 e oito candidatos já confirmaram suas candidaturas para o governo estadual. A disputa revela antigos aliados em campos opostos, com o vice-governador Felipe Camarão (PT) rompendo com Brandão para se posicionar como sucessor do grupo de Flávio Dino, enquanto Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador, defende a continuidade da gestão atual.
Eduardo Braide (PSD), que deixou a Prefeitura de São Luís para concorrer ao governo, também integra o grupo com maior projeção política no estado. Além desses, compõem a lista o ex-senador Roberto Rocha (PRTB), André Luís (Partido Missão), Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO).
Principais candidaturas e trajetórias políticas
Felipe Camarão (PT) — número 13
Felipe Costa Camarão, 44 anos, é advogado, professor universitário e atual vice-governador do Maranhão. Formado e com mestrado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), é procurador federal de carreira. Antes de entrar na política eleitoral, passou por diversas áreas da administração pública, incluindo direção do Procon do Maranhão e secretarias estaduais de Gestão e Previdência, Cultura, Governo e Educação durante o governo Flávio Dino. Filiado ao PT desde 2021, disputou sua primeira eleição em 2022 como vice na chapa de Carlos Brandão, eleito em primeiro turno. Após a ruptura política com Brandão, Camarão constrói candidatura própria, alinhando seu programa à gestão de Flávio Dino e propondo retomar políticas daquele período.
Orleans Brandão (MDB) — número 15
Carlos Orleans Braide Brandão, 31 anos, administrador e sobrinho do governador Carlos Brandão, é candidato do MDB ao governo. Sua vice é Edivaldo Holanda Júnior (Republicanos), ex-prefeito de São Luís com experiência eleitoral na capital. Orleans atuou na iniciativa privada antes de assumir cargo público e, desde 2023, ocupou a Secretaria Extraordinária de Assuntos Municipalistas, que lhe deu contato com prefeituras e lideranças regionais. Sua candidatura representa a continuidade do atual governo, apoiada por parte dos prefeitos, deputados estaduais e federais alinhados à gestão Brandão.
Eduardo Braide (PSD) — número 55
Eduardo Salim Braide, 50 anos, advogado formado pela UFMA, foi deputado estadual e federal antes de ser eleito prefeito de São Luís por dois mandatos consecutivos. Braide presidiu a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) e foi secretário municipal de Orçamento Participativo. Renunciou à Prefeitura em 31 de março de 2026 para disputar o governo do Maranhão, iniciando sua primeira candidatura ao cargo estadual após mais de cinco anos à frente da capital maranhense.
Outros candidatos e seus perfis
Roberto Rocha (PRTB), 61 anos, empresário e filho do ex-governador Luiz Rocha, acumula longa trajetória política como deputado estadual, federal e senador. Já concorreu ao governo em 2018 e tenta novamente o Palácio dos Leões. André Luís (Missão), empresário de 42 anos, estreia na política eleitoral com a candidatura ao governo, apostando nas redes sociais para ampliar sua presença. Saulo Arcangeli (PSTU), professor universitário e militante socialista, disputa pela terceira vez diferentes cargos eleitorais sem mandato.
Reginaldo Lima (PCB), radialista de Imperatriz, busca seu primeiro mandato majoritário após concorrer à vice-prefeitura da cidade em 2024. Dimas Cassimiro (PCO), professor universitário de 66 anos, já disputou vagas na Assembleia Legislativa e Câmara Federal e agora tenta pela primeira vez o governo estadual.
Panorama eleitoral e próximos passos
A sucessão ao governo do Maranhão em 2026 desenha-se com uma ampla diversidade de candidatos, refletindo a fragmentação interna dos grupos políticos que governaram o estado na última década. A disputa entre continuidade e renovação se expressa no embate entre Orleans Brandão e Felipe Camarão, enquanto Eduardo Braide apresenta-se como alternativa consolidada a partir de sua gestão na capital.
O desdobramento político será observado nas articulações regionais e no posicionamento dos partidos nas próximas etapas da campanha, com impacto direto na administração pública estadual e nos rumos das políticas públicas para o Maranhão.