O adeus a Gracindo Júnior
O ator Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido como Gracindo Júnior, faleceu aos 83 anos. O velório está marcado para amanhã (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, a partir das 12h10, seguido da cremação às 14h10. Sua partida marca o fim de uma trajetória que atravessou várias fases da cultura brasileira, do rádio ao teatro, passando pela televisão e o cinema.
Início no rádio e incursão nas artes
Gracindo Júnior começou sua carreira ainda na adolescência, aos 15 anos, quando fez teste na Rádio Nacional em 1959. Na emissora, não se limitou à atuação; também trabalhou como redator e disc-jóquei. Filho do renomado ator Paulo Gracindo (1911-1995), ele chegou a cursar psicologia, mas escolheu seguir no caminho das artes, expandindo sua atuação para o teatro, televisão e cinema. Além de ator, também se dedicou à direção e à supervisão de dramaturgia.
Período difícil e resistência cultural
Militante do Partido Comunista, Gracindo Júnior enfrentou a repressão da ditadura militar ao ser cassado em 1964, o que o impediu de trabalhar no rádio. Naquela época, ele já havia atuado em emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Sua ligação com a TV Globo começou antes mesmo da estreia oficial da emissora, em abril de 1965, quando foi contratado em dezembro de 1964. Participou das primeiras novelas da casa, como “Rosinha do Sobrado” (1965), “Padre Tião” (1966) e “A Rainha Louca” (1967), além de trabalhos marcantes como em “O Bem-Amado” (1973) e “Supermanoela” (1974).
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
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O papel de destaque em “O Casarão” e a relação com o pai
Em 1976, Gracindo Júnior alcançou um papel de grande relevância ao interpretar o pintor João Maciel na novela “O Casarão”, de Lauro César Muniz. A trama, que explorava três períodos diferentes (1906, 1926 e 1976), contou com a participação de seu pai, Paulo Gracindo, interpretando versões do mesmo personagem em fases distintas da vida. Também naquele ano, ele estreou como diretor teatral com “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Vianna Filho, e dirigiu a peça “É”, de Millôr Fernandes, em Portugal, por quatro meses.
Direção e novos desafios na televisão
De volta ao Brasil, assumiu em 1978 a supervisão do núcleo de novelas das 18h na Globo, acompanhando “A Sucessora”, de Manoel Carlos, em suas etapas iniciais. Nos anos seguintes, alternou trabalhos como diretor e ator, dirigindo novelas como “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé”, além de programas como “Os Trapalhões” em 1983. Foi também um dos diretores e apresentadores dos primeiros clipes musicais exibidos no “Fantástico”.
Homenagens e parcerias familiares
Em 1980, escreveu e encenou a peça “Paulo Gracindo, Meu Pai”, celebrando as cinco décadas de carreira do pai. Também dirigiu as últimas peças em que Paulo Gracindo atuou: “Num Lago Dourado” (1991) e “A História é uma História” (1993). Essas obras ressaltam a conexão artística entre pai e filho, que marcou a cultura teatral brasileira.
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Fonte: soupetrolina.com.br
Carreira na TV Manchete e retorno à Globo
Em 1984, Gracindo Júnior integrou o elenco da TV Manchete, interpretando Dom Pedro 1º em “A Marquesa de Santos”. Dois anos depois, trabalhou em “Dona Beija” e participou de outras produções como “Tudo ou Nada” (1987), “74.5” e “Uma Onda no Ar” (1994). De volta à Globo, atuou em minisséries e novelas como “Tenda dos Milagres” (1985), “Mandala” (1987), “O Salvador da Pátria” (1989) e “Rainha da Sucata” (1990), consolidando sua presença na televisão brasileira.
Décadas de atuação e contribuição para o teatro
Nos anos 2000, manteve-se ativo em produções como “Esplendor” (2000), “Aquarela do Brasil” e “Celebridade” (2003), onde interpretou Ubaldo Quintela, personagem complexo que retornava após 15 anos preso. Em 2004, participou da novela “Como uma Onda”. A partir de 2006, atuou em projetos da Record, incluindo “Cidadão Brasileiro”, “Poder Paralelo” (2009) e a minissérie “Rei Davi” (2012). Paralelamente, dedicou-se intensamente ao teatro, participando de mais de 20 peças como ator, produtor e diretor, mantendo vivo o legado cultural que construiu ao longo da vida.
