Dinâmica da soja no Brasil entre crescimento e retração
A produção de soja no Brasil apresenta trajetórias divergentes nas regiões agrícolas mais importantes. Piauí e Maranhão ampliaram suas áreas cultivadas em cerca de 43 mil hectares, enquanto Acre e Amazonas reduziram quase 4 mil hectares, o que corresponde a uma queda de 12% em relação ao ciclo anterior. Esses dados constam na terceira edição do estudo “Mapas Agro”, elaborado pela Serasa Experian, que compara as safras 2024/25 e 2025/26.
O Matopiba — região que engloba Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia — continua a ser o polo principal da expansão agrícola nacional. Maranhão e Piauí juntos somam aproximadamente 2,72 milhões de hectares dedicados à soja, concentrando boa parte do crescimento das lavouras. Além disso, a área plantada com milho de primeira safra nesses estados subiu cerca de 23%, superando 322 mil hectares.
Piauí lidera crescimento na área de soja
O Piauí destacou-se pelo maior aumento na área de soja, atingindo cerca de 1,1 milhão de hectares para a safra 2025/26, com um incremento de 32 mil hectares em comparação ao ciclo anterior. Desde a safra 2020/21, o estado ampliou sua área em 40,2%, incorporando aproximadamente 320 mil hectares ao cultivo.
A expansão ocorreu principalmente em municípios como Santa Filomena, que aumentou sua área em 8,6 mil hectares, e Currais, com crescimento de 8,3 mil hectares. Esses números reforçam a posição do Piauí como protagonista na produção de grãos dentro do Matopiba.
Maranhão mantém liderança na área total plantada
Com cerca de 1,62 milhão de hectares cultivados, Maranhão lidera entre os estados analisados para a safra 2025/26. O estado ampliou sua área em 11 mil hectares em relação à safra anterior. Nos últimos seis ciclos, a expansão acumulada chegou a 51,2%, o equivalente a um acréscimo de aproximadamente 550 mil hectares.
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O município de Mirador foi destaque na região, com aumento de 5,9 mil hectares na área de soja. Juntamente com a Bahia, o Matopiba concentra quase 5 milhões de hectares dedicados à oleaginosa, praticamente toda a área de soja do Nordeste brasileiro.
Redução da soja no Acre e Amazonas
Contrariamente ao Matopiba, Acre e Amazonas registraram retração na área plantada com soja na safra 2025/26, totalizando cerca de 28 mil hectares, o que representa uma queda de 12% em relação ao ciclo anterior. Apesar disso, desde 2020/21, o crescimento acumulado na região ainda é significativo, com aumento de 232,6%, incorporando cerca de 20 mil hectares ao cultivo.
Alguns municípios, como Senador Guiomard (761 hectares), Cruzeiro do Sul (280 hectares) e Epitaciolândia (164 hectares), apresentaram crescimento local, mostrando que a retração não foi uniforme em toda a região.
Importância dos dados para o agronegócio
Sabrina Muñoz, gerente de Inteligência de Dados Agro da Serasa Experian, destaca que o mapeamento territorial é essencial para identificar áreas em expansão ou com mudanças de tendência. Essas informações auxiliam instituições financeiras, cooperativas, tradings, seguradoras e outros agentes do agronegócio no planejamento de operações comerciais, logísticas e de crédito, além da avaliação de riscos e oportunidades.
O detalhamento por estado e município permite acompanhar o avanço das novas fronteiras agrícolas e antecipar demandas por infraestrutura, armazenamento, transporte, insumos e financiamento rural.
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Crescimento do milho de primeira safra no Maranhão e Piauí
O estudo também revelou aumento significativo na área de milho de primeira safra no Maranhão e Piauí, que juntos cultivaram 322.842 hectares na temporada 2025/26. O Piauí respondeu por 166.243 hectares e o Maranhão por 156.599 hectares, representando um crescimento conjunto de aproximadamente 23% em relação à safra anterior.
Cidades como Uruçuí, Baixa Grande do Ribeiro, Balsas e Bom Jesus das Selvas destacam-se na ampliação do cultivo. Essa expansão está ligada ao crescimento da cadeia de etanol de milho na região, impulsionando a demanda local, atraindo investimentos industriais e criando novas oportunidades de comercialização para os produtores.
Aspectos socioambientais no cultivo da soja
Além dos dados de produção, o levantamento analisou a presença da soja em imóveis rurais com registros de desmatamento, conforme o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No Maranhão, cerca de 272 mil hectares (16,7% da área estadual) encontram-se em imóveis com esses registros, enquanto no Piauí são aproximadamente 93 mil hectares (8,5%). No Acre e Amazonas, essa área corresponde a 699 hectares, ou 2,5%.
Esses registros não indicam, isoladamente, irregularidades, já que o Manual de Crédito Rural exige comprovação da regularidade ambiental conforme a legislação vigente.
Soja em assentamentos rurais reforça diversidade produtiva
O mapeamento também identificou áreas de soja em assentamentos rurais, totalizando cerca de 90 mil hectares no Maranhão, 452 hectares no Piauí e 230 hectares no Acre e Amazonas. A combinação dessas informações produtivas, territoriais e socioambientais aprimora a análise da expansão agrícola, sendo fundamental para operações financeiras, gestão de riscos e verificação do cumprimento dos critérios ambientais nas cadeias de soja e milho.
