Iniciativa Promissora para o cooperativismo no Maranhão
O cooperativismo se destaca como uma ferramenta essencial para o fortalecimento da economia extrativista no Brasil, com foco especial na Amazônia Legal. Essa estratégia une geração de renda, organização produtiva e conservação ambiental. No Maranhão, esse modelo ganha destaque por meio da cadeia do babaçu, que se estende por todo o estado e é fundamental para a subsistência de milhares de famílias, em sua maioria mulheres quebradeiras de coco. Além de gerar renda, essa cadeia movimenta uma vasta rede de produtos derivados, que possuem significativo valor econômico e social.
Dentro desse cenário, o Maranhão foi escolhido para integrar o Programa Coopera + Amazônia, uma iniciativa destinada a promover a inovação na gestão, nos processos produtivos e no acesso a mercados para cooperativas extrativistas. A formalização desse pacto ocorreu durante uma reunião na sede do Sebrae Maranhão, em São Luís, no dia 7 de setembro, quando o termo de cooperação foi assinado.
Cooperação e Investimentos para o Futuro das Cooperativas
Coordenado pelo Sebrae Nacional e com apoio financeiro do Fundo Amazônia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o programa será conduzido de maneira colaborativa entre a Organização das Cooperativas Brasileiras, a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O projeto já recebeu aprovação da diretoria do BNDES e do Fundo Amazônia, e encontra-se agora na fase de assinatura do contrato para que suas atividades possam ser plenamente iniciadas.
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Com um investimento estimado em aproximadamente R$ 103 milhões e duração de quatro anos, o programa irá atuar em estados da Amazônia Legal, incluindo Rondônia, Maranhão e Pará, beneficiando diretamente cerca de 6 mil famílias. No Maranhão, a primeira fase do projeto abrange sete cooperativas extrativas localizadas em Imperatriz, Caxias e Bacabal. A proposta inclui um acompanhamento técnico, consultorias especializadas, capacitação de lideranças e acesso a soluções inovadoras.
Compromisso com o Desenvolvimento Sustentável
O diretor técnico do Sebrae Maranhão, Mauro Borralho, enfatizou a relevância dessas parcerias e do investimento no setor. “Este é mais um projeto estratégico, desenvolvido em conjunto com o BNDES, Sebrae Nacional, diversos ministérios, o Governo Federal e o Fundo Amazônia. Estamos captando recursos importantes para impulsionar o desenvolvimento de cooperativas agroextrativistas em regiões chave do estado, fortalecendo a cadeia do babaçu”, destacou.
O programa está programado para ser desenvolvido ao longo de um ano, com a atuação de Agentes Locais de Inovação (ALIs), que estarão envolvidos diretamente com as cooperativas na elaboração de soluções voltadas à melhoria da gestão, aumento da produtividade e fortalecimento das estratégias comerciais. As entregas incluirão planos estruturantes como o Plano Preliminar de Inovação (PPI) e o Plano Consolidado de Inovação (PCI), além de ações como a aquisição de equipamentos e consultorias estratégicas.
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A Esperança e o Empoderamento das Mulheres Cooperativistas
Para Ana Carolina Westrup, analista de inovação do Sebrae Nacional, a implementação deste programa simboliza a realização de um projeto que visa estruturar toda a cadeia do babaçu nas comunidades envolvidas. “No ano passado, quando discutimos o Coopera Mais Amazônia, existia apenas a esperança de que esse projeto se tornasse realidade. Hoje, trazemos a confirmação de um investimento significativo, aproximando-nos de um ciclo de dois anos que inicia com sete cooperativas, focando na autonomia e no aumento do faturamento, especialmente entre as mulheres quebradeiras de coco babaçu”, afirmou.
Além da programação institucional em São Luís, o Programa Coopera + Amazônia também inclui encontros nos municípios de Bacabal, Caxias e Imperatriz. Durante esses encontros, foram discutidas as propostas e ações a serem implementadas, promovendo a conexão entre os participantes e o fortalecimento do engajamento das cooperativas na jornada de inovação e acesso a mercados.
A expectativa é animadora entre as cooperativas locais. Divina Lopes, da Coomara (Cooperativa Mista dos Assentamentos de Reforma Agrária da Região Tocantina) em Imperatriz, expressou sua empolgação: “Estamos muito esperançosas, pois este programa representa uma oportunidade de inovação na produção e na comercialização, superando um dos principais obstáculos da agricultura familiar. Estamos prontas para iniciar essa jornada e alcançar nossas metas!”. Já Maria Domingues, da Cooperativa das Quilombolas de Coco de Itapecuru Mirim, ressaltou o impacto social da iniciativa. “Esse projeto é fundamental para o desenvolvimento da cadeia do babaçu e para a dignidade das mulheres que dependem dele para sustentar suas famílias. Participar desse projeto é motivo de grande orgulho e gratidão”, comentou.
Desenvolvimento Territorial e Cultural
A proposta do programa também envolve a estruturação de estratégias para o desenvolvimento territorial, com a criação de escritórios de apoio, análises de mercado e ações voltadas à valorização dos produtos locais, por meio de iniciativas como o place branding. Em paralelo, o programa investe na promoção da cultura cooperativista, oferecendo oficinas, mentorias e atividades para fortalecer a governança e a atuação coletiva.
O diretor superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal, reforçou a importância do estado no contexto do programa. “O Maranhão foi escolhido por sua vocação, especialmente na cadeia do babaçu, que permeia todo o nosso território. Nosso intuito é fortalecer essa cadeia, aprimorar a gestão das cooperativas, qualificar os produtos e promover o desenvolvimento do estado. O Sebrae desempenha um papel crucial nesse processo, apoiando o cooperativismo como uma maneira de aumentar a competitividade dos pequenos negócios e criar oportunidades por meio da organização coletiva”, concluiu.
