Um Novo Capítulo para as Mulheres no Campo
No Brasil, a participação feminina no agronegócio tem evoluído de forma significativa, deixando de ser uma presença secundária para se firmar como protagonistas nas áreas de liderança, gestão e sucessão nas propriedades rurais. Esse fenômeno é especialmente visível no sudoeste do Maranhão, onde iniciativas como o grupo AgroUnidas Nacional vêm ganhando destaque ao promover o fortalecimento da atuação feminina no setor. Criado no segundo semestre de 2025, após uma reunião de mulheres do agronegócio em Porto Franco, o AgroUnidas já conta com mais de 100 integrantes. O grupo se consolidou como um espaço valioso para a troca de experiências, aprendizado coletivo e estreitamento de laços entre mulheres que atuam tanto na pecuária quanto na agricultura.
A criação do AgroUnidas Nacional representa um marco importante para muitas dessas mulheres, que, ao se unirem, encontram apoio mútuo em um ambiente que frequentemente apresenta desafios. A vice-presidente do grupo, Eulina Diniz, destaca a relevância de espaços coletivos: “Estamos transbordando de alegria. É um sucesso. Conseguimos passar bastante conhecimento para o pessoal. É um marco no nosso grupo”, afirma, enfatizando o impacto positivo da iniciativa em incentivar outras mulheres a ocuparem posições de liderança.
Histórias de Superação e Liderança
As narrativas de mulheres do agronegócio maranhense são recheadas de superações e desafios. Eulina Diniz, por exemplo, cresceu em uma fazenda e, após a morte de seu pai, precisou assumir o comando da propriedade aos 16 anos. “Ele sempre dizia: aprende de tudo e usa o que você precisar. Quando ele faleceu, eu tive que tocar a fazenda sozinha”, relembra. Sua trajetória reflete uma realidade crescente no agronegócio: mulheres que, muitas vezes ainda jovens, são chamadas a liderar com responsabilidade e determinação.
Outro exemplo inspirador é a presidente do AgroUnidas Nacional, Rossi Cavalcanti, que herdou a Fazenda Bom Sossego após a morte do pai em 2017. Desde os 16 anos, Rossi já estava inserida no agronegócio, e agora, além de gerir o negócio, começa a preparar a nova geração da família para a continuidade do trabalho no campo. “O preconceito é problema do outro, não é meu. Não tem preconceito que resista a resultados”, enfatiza, reforçando que a verdadeira medição de sucesso está nos resultados financeiros e na gestão efetiva.
O Impacto da Modernização e da Formação
A participação feminina no agronegócio não é apenas uma questão de representatividade, mas está diretamente ligada à evolução da dinâmica econômica do setor. Dados recentes do Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio 2025, elaborado pelo Cepea, revelam que as mulheres representam cerca de 37% da força de trabalho no agronegócio brasileiro, totalizando mais de 10 milhões de trabalhadoras. O crescimento da participação feminina tem superado o masculino, especialmente em cargos de gestão e áreas técnicas.
De acordo com Aline Maracaípe, analista do Sebrae e gestora de empreendedorismo feminino, as redes de apoio são essenciais para esse avanço. “A mulher sempre esteve no campo, mas muitas vezes invisibilizada na gestão. Quando ela passa a se reconhecer como empresária rural, muda a forma como administra e busca capacitação”, afirma, ressaltando que o AgroUnidas tem sido fundamental nesse processo de reconhecimento e empoderamento.
Um Futuro Promissor e Desafios a Superar
As integrantes do AgroUnidas Nacional compreendem que, embora os números apresentem um cenário positivo, a verdadeira transformação ocorre nas práticas diárias das propriedades rurais. A modernização e a adoção de novas tecnologias são desafios que precisam ser enfrentados constantemente. Para Rossi, o maior obstáculo é acompanhar a velocidade das mudanças no mercado agropecuário: “Tudo muda muito rápido. A maior dificuldade é estar adequada sempre a essa nova situação”, aponta.
Nesse contexto, o AgroUnidas Nacional se apresenta não apenas como um espaço para troca de conhecimento, mas também como uma fonte de inspiração. Eulina destaca a responsabilidade que vem com a liderança, mas também a motivação para continuar avançando: “Surge uma responsabilidade muito grande, mas nos inspira a seguir melhor a cada dia”.
Crescimento do Empreendedorismo Feminino no Maranhão
O crescimento da participação feminina no agronegócio maranhense reflete um movimento mais amplo de liderança feminina em diferentes setores da economia local. Dados do Sebrae mostram um aumento significativo no número de Micro e Pequenas Empresas (MPEs) lideradas por mulheres no Maranhão, que subiram de 118.360 para 145.367 entre 2024 e 2026. Isso representa um avanço importante, particularmente com o aumento das Microempreendedoras Individuais (MEIs).
O Sebrae Delas e o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios são iniciativas que têm contribuído para essa transformação, reconhecendo e apoiando o empreendedorismo feminino no estado. Na última edição do prêmio, duas empreendedoras maranhenses se destacaram ao vencer a etapa nacional, um feito que simboliza a força e o impacto do empreendedorismo feminino no Maranhão.
