A Trajetória da Armac no Setor Agropecuário
Embora para muitos o nome Armac possa ser desconhecido, sua atuação no agronegócio está longe de ser insignificante. A empresa, que abriu seu capital na B3 em 2021, já fatura R$ 2 bilhões anualmente, e atualmente tem direcionado cerca de 30% de suas operações para o setor agropecuário. Essa mudança é notável considerando que, até cinco anos atrás, a participação do agronegócio nos negócios da Armac era quase nula. Com o passar do tempo, a realidade se transformou rapidamente.
Entre as edições da Agrishow de 2024 e 2025, a receita proveniente do agronegócio cresceu impressionantes 28%. A Armac, que possui a maior frota de equipamentos do Brasil, conta com 12 mil ativos, sendo 3.600 destinados ao agronegócio. De acordo com Mairon Karr, diretor de Negócios e Operações da Armac, mais da metade dos equipamentos é aplicada em diversas etapas da cadeia agropecuária, desde as fazendas até os portos.
A Liderança de Mairon Karr e a Estratégia de Crescimento
Mairon Karr, aos 34 anos, traz uma vasta experiência de 14 anos na John Deere e está à frente da estratégia de aproximação da Armac com o campo há três anos e meio. Antes da incursão no agronegócio, a Armac já era conhecida por sua atuação em setores como mineração, construção civil e infraestrutura, com uma clientela que inclui grandes nomes como Andrade Gutierrez, VLI e Vale.
No Brasil, existem cerca de 50 mil empresas de locação, sendo que 60% atuam na construção civil. Um estudo recente, o Rental Market Report, realizado pela KPMG em parceria com a Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, revela que o mercado de locação brasileiro deve atingir R$ 52,9 bilhões até 2026, com crescimento de 7% em relação a 2025, quando o setor alcançou R$ 49,4 bilhões. Nos últimos cinco anos, o setor cresceu, em média, 10% ao ano.
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O Crescimento Orgânico no Setor Agro
A entrada da Armac no agronegócio ocorreu de forma orgânica, conforme Karr explica: muitos clientes que alugam máquinas para construção percebem rapidamente que os produtores agrícolas também necessitam de equipamentos para várias operações. “Estamos presentes nos produtores, ou seja, dentro das fazendas, usinas e agroindústrias, englobando toda a cadeia logística, desde terminais ferroviários até portos que fazem o escoamento da produção”, comenta Karr.
A Armac não oferece colheitadeiras ou pulverizadores, mas seu portfólio é robusto em máquinas de apoio, conhecidas como linha amarela, incluindo motoniveladoras, escavadeiras e caminhões. Essas máquinas são vitais para a manutenção de acessos agrícolas, movimentação de grãos nas agroindústrias e operações logísticas em terminais e portos. Embora essa parte do agronegócio não receba muita atenção, sua importância é fundamental, pois a falta de um equipamento pode parar uma usina de etanol ou comprometer a movimentação de grãos.
Um Modelo de Aluguel Sustentável e Eficiente
A prática de aluguel de máquinas não é nova no Brasil, especialmente em mineração e construção civil, mas sua adoção no agronegócio é recente. Por muito tempo, empresas com infraestrutura e capital financeiro necessário para oferecer uma frota ampla eram escassas. Após a abertura de capital em 2021, a Armac acelerou seu crescimento nesse setor.
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Com a alta dos juros e a pressão sobre os custos operacionais, a empresa encontrou um impulso inesperado. Comprar equipamentos requer um investimento significativo e pode gerar dívidas e custos de manutenção imprevisíveis. “A locação evita que a empresa se descapitalize ou se endivide”, ressalta Karr. O contrato de locação transfere a responsabilidade pela manutenção e disponibilidade do equipamento para a Armac, o que é um alívio para o produtor.
Além disso, os produtores mais profissionais perceberam a vantagem fiscal que o aluguel de equipamentos pode oferecer em comparação à compra. Isso, somado à previsibilidade dos custos mensais e à possibilidade de renovar a frota, tem atraído cada vez mais clientes. “A mudança da propriedade para a locação é uma decisão que frequentemente se torna permanente”, afirma Karr.
O Mercado de Locação na Perspectiva do Agronegócio
Atualmente, a maioria dos clientes da Armac no agronegócio são grandes empresas que já entendem a locação como parte de sua gestão de ativos. Contudo, os produtores menores ainda encontram dificuldades em reconhecer todos os benefícios que essa prática pode trazer. “É uma questão de percepção. Quando comparam o custo mensal da locação com a parcela do financiamento de um equipamento próprio, sem considerar manutenção e outros custos, a locação pode parecer desfavorável”, explica Karr.
A Armac oferece diferentes modelos de contrato, atendendo desde demandas sazonais a compromissos de longo prazo. Os contratos mais longos incluem manutenção e operação do equipamento. Para utilizações temporárias, existem contratos que permitem a locação apenas durante a safra.
Desafios Logísticos e Expansão Estratégica
Um dos maiores desafios enfrentados pelo modelo de locação é o custo do frete, que pode ser alto e logisticamente complexo. No entanto, a Armac está se expandindo para operar mais próximo aos polos de demanda, com 18 lojas pelo Brasil. Até 2026, a previsão é de que esse número aumente para 30. As novas lojas serão abertas em regiões agrícolas e industriais estratégicas, facilitando o acesso à locação para produtores.
Estar próximo dos clientes é essencial para oferecer soluções de locação que não sejam inviáveis devido ao custo de transporte. Essa estratégia permitirá que a Armac conquiste mais clientes entre os médios e pequenos produtores, que muitas vezes ainda veem o aluguel como uma solução de emergência.
Karr enfatiza que o modelo de locação não é uma consequência da crise, mas sim uma alternativa viável que já existia e que agora se destaca devido ao cenário econômico. “O aluguel se torna mais relevante em tempos de juros altos e custos operacionais elevados. Esses benefícios já eram claros antes, e provavelmente continuarão a ser quando as condições mudarem”, conclui.
