Inclusão Musical e Desenvolvimento Pessoal
Na Escola Municipal de educação bilíngue para Surdos Professor Telasco Pereira Filho, o silêncio se transforma em uma sinfonia de ritmos e expressões. O projeto “O Som do Silêncio” é uma iniciativa inovadora que, com o apoio da Prefeitura de Imperatriz e da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), promove a inclusão de crianças, adolescentes e adultos surdos por meio da música. Desde a Educação Infantil até a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o projeto já celebra a formação de três bandas musicais, que proporcionam emoção e representatividade em eventos institucionais e comunitários.
Originado de práticas de musicalização iniciadas em 2020, o projeto ganhou força em 2024, adotando a forma de bandas musicais. Atualmente, a escola mantém grupos ativos, com aproximadamente 7 a 10 integrantes em cada banda, selecionados com base nas habilidades demonstradas em sala de aula. As atividades são enriquecidas por vibrações sonoras graves, estímulos visuais como luzes sincronizadas e ensino de leitura de partituras, tudo isso realizado com acessibilidade garantida pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os alunos têm acesso a uma variedade de instrumentos, incluindo violão, cajon, xilofone, metalofone cromático, carrilhão, glockenspiel, ganzá e pau de chuva, entre outros.
Impacto Social e Avanços Pessoais
Leia também: Festival de Música da Rádio Educadora: Estudantes da Bahia Brilham na 24ª Edição
Leia também: Semana da Cultura no Rio de Janeiro: Música, Teatro e Artes Visuais no Sistema Prisional
O projeto não apenas amplia o acesso à arte, mas também contribui significativamente para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional dos participantes. Os alunos têm demonstrado avanços notáveis em autonomia, socialização e confiança, o que reflete a importância da inclusão cultural em suas vidas. Além disso, a iniciativa já recebeu convites para se apresentar em eventos promovidos pela Rede Municipal de Ensino, empresas e diferentes instituições, aumentando assim a visibilidade do trabalho e ressaltando a relevância da inclusão de pessoas com deficiência na cultura.
As experiências vividas pelos alunos são elogiadas por Marck Johnnes Oliveira, professor de música da escola. Ele relata que “na primeira apresentação, muitos deles choraram ao tocar, pois nunca imaginaram que seriam capazes de fazer música. Eles sentiram isso profundamente e abraçaram a experiência. Para eles, é uma conquista grandiosa, pois conseguem se destacar. Quando sobem ao palco, a timidez desaparece, e a música oferece essa oportunidade. A neurociência revela que a música ativa diversas áreas do cérebro, e os surdos também desenvolvem habilidades importantes por meio dessa prática, tanto no aprendizado escolar quanto na vida cotidiana. Para mim, é realmente gratificante trabalhar com esses jovens e ajudá-los a se tornarem grandes músicos, para que possam ser reconhecidos por seus talentos”, compartilha.
Leia também: Música no Maranhão: R$ 8,7 milhões em Direitos Autorais em 2025
Leia também: Iza Deixa Cargo de Rainha de Bateria na Imperatriz Leopoldinense e Foca na Música
A Importância da Inclusão Social
A gestora da escola, Elisandra Lima, complementa a discussão sobre a relevância do projeto. “É fundamental que esse trabalho vá além dos muros da escola, para que a sociedade compreenda que pessoas surdas podem tocar música, dançar e realizar qualquer atividade”, enfatiza. Os jovens do grupo “Ritmo do Coração” têm a oportunidade de demonstrar seu aprendizado e talentos em apresentações que ajudam a quebrar estigmas e promovem uma maior aceitação e inclusão social.
