Videoarte maranhense ganha destaque nacional
Cinco artistas do Maranhão — Acaique, Dinho Araújo, Inke, Ramusyo Brasil e Silvana Mendes — representam o estado no circuito nacional de audiovisual com cinco curtas-documentários. Essas obras ressaltam a produção cultural das cidades de São Luís e Coroatá, reforçando a relevância da videoarte para a expressão das identidades locais.
MAPA: uma homenagem à cultura e à memória do Nordeste
A Mostra de Imagem em Movimento (MAPA) celebra a produção cultural e a videoarte no Brasil, reunindo cineastas, curadores, convidados especiais e artistas brasileiros em Brasília. Em 2026, o evento ocorre no Distrito Federal, trazendo obras que abordam temas como memória, território e a contemporaneidade audiovisual do Nordeste.
Antes de chegar à capital federal, o MAPA passou por São Luís e Coroatá durante o Festival MAPA, etapa inicial da mostra. As exibições ao ar livre aconteceram nas praças Nauro Machado e Valdelino Cécio, reunindo centenas de espectadores em uma programação que valoriza o cinema e a cultura local.
Exposições e conteúdos exclusivos na Casa da Cultura da América Latina
Agora, as obras selecionadas são apresentadas na Casa da Cultura da América Latina, onde o público pode conferir não apenas os curtas-documentários, mas também entrevistas inéditas com os artistas, bastidores das produções e uma seleção de videoinstalações realizadas em São Luís.
Dentre as criações do Maranhão, destacam-se: “Uma Casinha no Trilho”, de Acaique; “História da Terra”, de Dinho Araújo; “Frágil Dureza”, de Inke; “Temp(l)o do Rosa Fixado”, de Ramusyo Brasil; e “Sol de Meio Dia”, de Silvana Mendes.
Diálogo entre arte, território e memória ferroviária
O MAPA também visa fortalecer a conexão entre território, linguagem artística e curadoria contemporânea. Um dos pilares do projeto é o resgate das memórias ligadas à Estrada de Ferro Carajás (EFC), tema que permeia diversas obras da mostra.
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Fonte: ocuiaba.com.br
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Fonte: indigenalise-se.com.br
João Pacca, curador e coordenador-geral do evento, destaca a importância da diversidade cultural promovida pelos artistas maranhenses. Segundo ele, o MAPA nasce da interseção entre arte, território e memória, construindo narrativas locais que dialogam com públicos de todo o Brasil. Essa edição em Brasília chega renovada, pronta para refletir as múltiplas vertentes da videoarte nordestina.
Conheça os artistas e suas trajetórias
A primeira edição do MAPA reúne, além dos cinco artistas do Maranhão, cinco do Pará, formando um conjunto que evidencia a força da videoarte e do videomapping no cenário brasileiro.
Acaique traz para Brasília referências da cultura maranhense, tradições locais e aspectos de sua vida em Coroatá, região dos Cocais. Ela recorda a infância fascinada pelos trabalhadores dos trens de carga, observando a naturalidade e simplicidade desse universo.
Dinho Araújo, antropólogo maranhense, revisita tradições populares como o bumba-meu-boi, combinando folclore e paisagens para criar uma obra poética que transcende a história humana, explorando outras dimensões do movimento e da cultura.
Inke aborda as trajetórias e histórias ligadas à Estrada de Ferro Carajás, trazendo uma perspectiva da diáspora e ressaltando a importância do trem para uma população majoritariamente negra e carente, que depende desse transporte acessível e de baixo custo.
Ramusyo Brasil expressa inquietações em torno da memória, presença e política, refletindo em sua criação artística temas essenciais de sua experiência pessoal e social, transformando-os em filmes ensaio carregados de significado.
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Fonte: tcheagora.com.br
Silvana Mendes fecha o grupo com uma obra que conecta passado e presente das comunidades ao redor da Estrada de Ferro Carajás, utilizando as artes visuais para transformar a memória em identidade cultural, aspecto fundamental para a preservação das raízes locais.
Artistas do Pará também enriquecem a mostra
Além dos representantes do Maranhão, o MAPA conta com cinco artistas do Pará: Bárbara Savannah, Ícaro Matos, Juruna, Leonardo Venturieri e Rafa Cardozo, formando um total de dez criadores que transformam histórias e vivências em produções audiovisuais impactantes.
A iniciativa é realizada pela OPACCA Produção de Imagem, em parceria com a Vale, por meio dos Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), sob a coordenação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Documentários em destaque na Mostra
Confira os títulos e seus autores que compõem a seleção do MAPA em Brasília:
“Tudo é Correnteza”, de Rafa Cardozo; “Um Horizonte em Movimento”, de Bárbara Savannah; “Travessia”, de Ícaro Matos; “Todo trajeto, também é um rio”, de Juruna; “Alvorada e Fuga”, de Leonardo Venturieri; “Uma Casinha no Trilho”, de Acaique; “História da Terra”, de Dinho Araújo; “Frágil Dureza”, de Inke; “Temp(l)o do Rosa Fixado”, de Ramusyo Brasil; e “Sol de Meio Dia”, de Silvana Mendes.
