Do Alinhamento à Divergência
O que começou como uma parceria política sólida entre Brandão e Dino hoje é marcado por uma disputa que divide o cenário político do Maranhão. Os embates entre eles ultrapassaram os limites do poder local e chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo ainda o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA).
O episódio mais recente desse conflito é um pedido da defesa de Carlos Brandão ao STF para suspender uma investigação sobre a indicação de Flávio Costa ao TCE-MA, prevista para 2025. Essa investigação está sob supervisão do ministro Flávio Dino.
O Papel do Tribunal de Contas e a Investigação
O TCE-MA é composto por sete conselheiros: quatro indicados pela Assembleia Legislativa e três pelo governador, com aprovação dos deputados, conforme determina a Constituição Estadual. Em agosto de 2025, a Polícia Federal abriu um inquérito por determinação de Dino para apurar possíveis irregularidades nas nomeações para o tribunal.
A defesa de Brandão alega que investigações envolvendo governadores devem tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, por isso, pediu a suspensão do processo ou o encaminhamento ao órgão adequado. Esse pedido ocorreu um dia após Dino determinar o afastamento por 180 dias de Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho do governador, em outra frente investigativa.
Histórico da Relação entre Brandão e Dino
A relação política entre Brandão e Dino remonta ao período anterior à eleição de Dino para deputado federal, em 2006. Brandão ajudou a viabilizar a candidatura de Dino na região de Caxias, no Maranhão, onde ambos tinham influência política.
Naquela época, Brandão já acumulava experiência pública, tendo assumido cargos de liderança desde os anos 90 em secretarias durante a gestão do ex-governador José Reinaldo Tavares. A parceria entre os dois se fortaleceu quando Brandão foi eleito vice-governador nas chapas de Dino em 2014 e 2018. Em 2022, Dino deixou o governo para disputar o Senado, e Brandão assumiu o Palácio dos Leões, sendo eleito governador no primeiro turno, com Felipe Camarão (PT) como vice.
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O Início do Desgaste e as Disputas Internas
Os primeiros sinais públicos de desgaste apareceram em 2023, durante a montagem do novo governo e a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema). Othenilino Neto, aliado de Dino e então presidente da Alema, buscava a reeleição contra Iracema Vale, apoiada por Brandão. Após negociações, Othelino retirou sua candidatura em favor de Iracema, que foi eleita presidente em fevereiro de 2023.
Othelino passou a integrar o governo como secretário de Representação Institucional do Maranhão em Brasília, mas voltou ao mandato de deputado estadual em novembro do mesmo ano. A tensão política aumentou quando Dino assumiu seu cargo no STF, em fevereiro de 2024, e passou a analisar ações relacionadas às regras de escolha dos conselheiros do TCE-MA.
Conflitos no STF e Nas Eleições Municipais
Em março de 2024, Dino suspendeu o andamento de um processo de indicação para o TCE-MA. O governo apoiava a escolha de Flávio Costa, enquanto o grupo ligado a Dino tinha como nome o deputado estadual Carlos Lula (PSB). A situação gerou críticas da base de Brandão, que viu na ação uma interferência política, enquanto defensores de Dino garantiam que suas decisões eram estritamente jurídicas.
Nas eleições municipais de 2024, a divisão ficou evidente. Em Colinas, reduto eleitoral de Brandão, aliados de Dino apoiaram a candidatura do irmão do deputado federal Márcio Jerry, que acabou derrotado por um candidato ligado a Brandão. No mesmo período, aliados de Dino perderam espaços no governo estadual, incluindo Felipe Camarão (PT) e Joslene Rodrigues, esposa de Márcio Jerry.
Disputa pela Presidência da Alema e Decisão do STF
Em novembro de 2024, Othelino Neto voltou a disputar a presidência da Alema contra Iracema Vale. O empate em 21 votos cada levou a decisão para o critério de maior idade, que favoreceu Iracema. Othelino recorreu ao STF, que manteve a decisão e confirmou a presidência de Iracema Vale.
Crise na Sucessão e Ampliação do Conflito
A sucessão estadual tornou-se o foco da ruptura. Aliados de Dino e do PT afirmavam que Brandão deveria deixar o governo antes do fim do mandato para disputar o Senado, abrindo espaço para Felipe Camarão assumir. Brandão negou ter compromisso com essa estratégia e passou a apoiar a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB).
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Em março de 2025, Brandão reconheceu publicamente o afastamento de Dino. A tensão aumentou com exonerações de aliados de Dino na administração estadual nos meses seguintes. Em outubro de 2025, gravações envolvendo deputados federais Rubens Pereira Júnior (PT), Márcio Jerry (PCdoB) e Diego Galdino, ex-secretário da Casa Civil no governo Dino, foram divulgadas pelo deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB), ampliando o conflito.
Repercussões das Gravações e Impacto Político
Os áudios revelaram negociações políticas em cidades como Colinas e Barreirinhas, além de supostos acordos envolvendo deputados estaduais. Aliados de Dino afirmaram ter sido vítimas de gravações clandestinas, enquanto Brandão denunciou pressão e chantagem por parte do grupo adversário.
As consequências foram imediatas: Márcio Jerry entregou a Secretaria das Cidades e Rubens Pereira, pai de Rubens Pereira Júnior, também deixou o governo.
Atualização da Situação e Novos Desdobramentos
Em fevereiro de 2026, Brandão anunciou que permaneceria no cargo até o fim do mandato, descartando a antecipação da saída para que Felipe Camarão assumisse. Ele seguiu fortalecendo o projeto eleitoral de Orleans Brandão, enquanto Camarão manteve sua pré-candidatura.
O recente pedido da defesa de Brandão ao STF reacende o conflito direto entre ele e Dino, evidenciando a complexidade da disputa política no Maranhão.
