O impacto da economia do Maranhão na eleição de 2026
A corrida para o governo do Maranhão em 2026 vai além das tradicionais alianças políticas e dos discursos eleitoreiros. O eleitorado avalia cada vez mais o desempenho econômico do estado como critério fundamental para decidir seu voto. O atual governador Carlos Brandão (MDB) busca garantir a continuidade de seu grupo político ao apoiar o pré-candidato Orleans Brandão (MDB), entregando um estado que cresceu acima da média nacional, mas que ainda enfrenta desafios sociais expressivos, especialmente ligados à pobreza.
Crescimento do PIB maranhense supera média nacional
O Produto Interno Bruto (PIB) é uma métrica essencial para entender a saúde econômica de qualquer região. Segundo o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC), o PIB do Maranhão registrou avanço de 4% em 2025, um desempenho superior aos 2,3% observados em nível nacional pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa expansão foi alavancada principalmente pela indústria, que cresceu 10,9%, e pelo setor agropecuário, que avançou 10,3%. A região de Balsas, no sul do Maranhão, destaca-se no agronegócio, sendo parte do MATOPIBA, uma das áreas agrícolas que mais crescem no país.
Infraestrutura logística impulsiona a economia regional
O Maranhão ocupa posição estratégica na logística do Brasil, com ferrovias fundamentais como a Ferrovia Norte-Sul, que liga Açailândia à Estrada de Ferro Carajás e ao Porto do Itaqui, em São Luís. Este porto é responsável por 33% da arrecadação de ICMS do estado e movimenta cargas do agronegócio, minério de ferro e alumina, com exportações direcionadas principalmente para China, Estados Unidos e União Europeia. Além disso, a Ferrovia São Luís-Teresina, inaugurada em 1921, é crucial para o transporte de combustíveis, garantindo o abastecimento tanto do Maranhão quanto das regiões vizinhas.
Desafios sociais que persistem na economia maranhense
Apesar dos avanços econômicos, o Maranhão ainda convive com índices preocupantes relacionados à pobreza e à baixa renda. Dados do IBGE de 2021 indicam que o estado possui o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, com 0,676. Além disso, em 2025, o rendimento domiciliar per capita no Maranhão foi de R$ 1.219, menos da metade da média nacional, que é R$ 2.316, e distante do Distrito Federal, que lidera com R$ 4.538. Essa desigualdade econômica reflete diretamente na qualidade de vida da população local.
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O economista Geraldo Cunha Carvalho, mestre pela Universidade de Lisboa e coordenador de ações estratégicas da FIEMA, destaca que o assistencialismo intenso pode reduzir o estímulo ao trabalho formal. Dados de fevereiro de 2026 do Ministério do Desenvolvimento Social e do CAGED indicam que o Maranhão tem mais beneficiários do Bolsa Família (1.156.990) do que trabalhadores com carteira assinada (696.947), o que evidencia um desafio para o mercado de trabalho local.
Programas sociais e qualificação profissional como estratégias
Para enfrentar esses desafios, o programa estadual Maranhão Livre da Fome complementa o Bolsa Família com um adicional de R$ 200 para alimentação e oferece cursos de qualificação profissional. Segundo o então secretário de Assuntos Municipalistas e pré-candidato ao governo, Orleans Brandão, o programa já beneficia a Grande Ilha de São Luís e deve alcançar os 217 municípios do estado, com o apoio fundamental dos prefeitos locais, considerados peças-chave para o sucesso da iniciativa.
Carvalho também ressalta que o baixo nível de qualificação educacional limita a produtividade da mão de obra maranhense, impactando negativamente a economia do estado e a geração de empregos.
Economia no centro da disputa entre pré-candidatos
A economia está no foco das críticas e propostas dos pré-candidatos ao governo do Maranhão. O atual grupo governista destaca ações sociais e a criação de empregos como seus principais feitos. Eduardo Braide (PSD) aposta na continuidade da gestão para tirar o Maranhão da última posição nacional, ressaltando a situação financeira deixada pela prefeitura de São Luís. Já Lahesio Bonfim (Novo) defende incentivos ao empreendedorismo e a redução da carga tributária para estimular emprego e renda.
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Do lado oposicionista, Felipe Camarão (PT), vice-governador, critica duramente a gestão de Brandão, apontando o Maranhão como o estado com pior desempenho em retorno social e desenvolvimento humano.
Por sua vez, o governador Carlos Brandão destaca a criação de 1.300 empregos em abril de 2026, segundo dados do CAGED, como resultado das políticas voltadas para fortalecer o ambiente de negócios e fomentar a economia regional.
Perspectivas econômicas e eleitorais para 2026
A economia do Maranhão será peça-chave na disputa eleitoral de 2026, com pré-candidatos apresentando propostas e críticas que refletem diretamente nas estratégias políticas e administrativas do estado. O próximo ciclo político demandará atenção aos efeitos das políticas econômicas e sociais aplicadas, além da resposta do eleitorado a esses resultados, que influenciam diretamente a vida dos maranhenses.
