Iniciativas que Transformam a Educação Ambiental
O Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna vem se destacando como um importante espaço voltado para a educação ambiental na Região Metropolitana de Belém. No último ano, a unidade de conservação recebeu aproximadamente 1,2 mil alunos de 35 diferentes escolas, que incluem instituições da rede municipal, estadual e programas socioeducativos. As visitas ocorreram sob a supervisão de técnicos capacitados, condutores habilitados e voluntários do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), consolidando o local como uma verdadeira sala de aula ao ar livre, que conecta crianças e jovens à rica biodiversidade da Amazônia.
As ações educativas do parque alcançam escolas que participam das visitas organizadas e também aquelas que buscam o espaço de maneira independente. Independentemente do formato, a proposta central continua a ser promover experiências que incentivem o conhecimento, o pertencimento e a responsabilidade ambiental, por meio do contato direto com a natureza e as práticas de conservação presentes na unidade.
Visitas Educativas: Aprendizado na Prática
Um dos destaques das atividades do ano passado foi a visita de uma turma composta por 45 alunos e 10 professores da Escola Municipal Santo Amaro, situada em Marituba, município próximo à Grande Belém. Os estudantes participaram de uma programação especial que incluiu atividades no Parque Estadual do Utinga e no Projeto de Reintrodução e Monitoramento de Ararajubas. Essa oportunidade única permitiu que os jovens conhecessem de perto os esforços de preservação da espécie que é símbolo da fauna amazônica, além de compreenderem os desafios que envolvem a proteção da biodiversidade.
Outro grupo notável, formado por jovens do Programa de Aprendizagem da Rede Nacional de Aprendizagem, Promoção Social e Integração (Renapsi), também teve a chance de visitar o Parque. Essa experiência fez parte de um processo de formação cidadã e socioambiental, destacando a importância do Parque Estadual do Utinga como um espaço inclusivo que dialoga com diversos públicos e realidades sociais, utilizando a educação ambiental como meio de transformação.
Educação Ambiental em Foco
Estudantes da Escola Estadual Visconde de Souza Franco também participaram das atividades, ampliando a abrangência das ações educativas junto à rede estadual de ensino. Durante as visitas, os alunos exploraram trilhas interpretativas e obtiveram informações sobre os ecossistemas locais, além de aprenderem sobre a relevância do parque para a segurança hídrica e o equilíbrio ambiental da capital paraense.
A coordenadora do Departamento de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação (Semed), professora Iramar Alves, enfatizou o impacto positivo que essas experiências têm na formação dos alunos. “A experiência foi extremamente enriquecedora, permitindo que nossos alunos aprendam, na prática, sobre a importância da conservação da fauna e da flora amazônicas. A visita ao Parque Estadual do Utinga e o contato com o Projeto Ararajubas despertaram neles um sentimento de pertencimento e responsabilidade em relação ao meio ambiente. A presença da educação ambiental nas vivências escolares é fundamental para formar cidadãos mais conscientes e comprometidos com a preservação da natureza”, ressaltou a professora Iramar.
Multiplicadores de Conhecimento
A analista ambiental do Ideflor-Bio, Deiliany Oliveira, complementou que as visitas escolares vão além do simples lazer. “As visitas ao Parque Estadual do Utinga são cruciais para aproximar as crianças e os jovens da nossa unidade de conservação. Quando têm a oportunidade de vivenciar o parque e entender sua biodiversidade, história e importância ecológica, os alunos desenvolvem uma relação mais responsável com o meio ambiente”, afirmou.
Essas visitas pedagógicas são, na verdade, ferramentas de educação ambiental. É uma chance para os estudantes observarem na prática os conceitos aprendidos em sala de aula e perceberem como suas atitudes impactam diretamente a conservação dos recursos naturais.
Um Impacto Social Significativo
Deiliany também destacou o impacto multiplicador dessas ações. “O mais importante é que esses alunos se tornam agentes multiplicadores. Eles levam o conhecimento adquirido para casa, compartilhando com suas famílias e comunidades, o que fortalece a cultura da preservação ambiental”, concluiu, sublinhando a importância social das atividades desenvolvidas no parque ao longo do ano.
O gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer, reforçou que o balanço é positivo e atribui os resultados ao trabalho colaborativo. “O Parque Estadual do Utinga desempenha um papel estratégico na educação ambiental da nossa região. Receber mais de mil estudantes em um único ano mostra que estamos no caminho certo, consolidando parcerias com escolas, professores e instituições. Nosso objetivo é garantir que cada visita proporcione uma experiência transformadora, despertando o cuidado com o meio ambiente e a compreensão do papel das unidades de conservação na qualidade de vida da população”, destacou.
Voluntariado: A Força do Compromisso
Um dos pilares que ajudaram a ampliar e qualificar o atendimento aos estudantes foi o Programa de Voluntariado do Parque Estadual do Utinga, iniciado em 2025 pelo Ideflor-Bio. A iniciativa recebeu os primeiros voluntários com foco na educação ambiental e no uso público, envolvendo estudantes e profissionais de áreas como biologia, pedagogia, turismo e ciências naturais para apoiar os visitantes, especialmente os alunos da rede pública.
Com atividade prevista de setembro de 2025 a setembro de 2026, o programa enriquece o diálogo entre a gestão pública e a sociedade civil, ampliando a capacidade educativa do parque. Para a voluntária Sophia Borges, essa experiência representa um compromisso com o futuro. “Ser voluntária no Parque Estadual do Utinga é mais do que uma experiência; é um compromisso com a natureza e com as futuras gerações. A educação ambiental é uma ferramenta poderosa para despertar nas pessoas o cuidado e o respeito pela biodiversidade amazônica”, finalizou.
