Negativa do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde rejeitou o pedido da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para firmar uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a farmacêutica Takeda, visando a fabricação da vacina contra dengue, conhecida como Qdenga, em solo brasileiro. Esse acordo permitiria a produção nacional do imunizante em duas doses, reduzindo a dependência da importação e acelerando o acesso à vacina no país.
Em uma nota enviada ao GLOBO, o Ministério esclareceu que a proposta entre a Takeda e a unidade de Bio-Manguinhos da Fiocruz “não atendeu a requisitos mínimos para participação no Programa”. O principal problema apontado foi a falta de garantias sobre o acesso total ao conhecimento necessário para a produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), o que inviabilizaria a fabricação local do produto. Este aspecto é considerado essencial para o programa do Governo Federal voltado à produção nacional de vacinas.
A Fiocruz, em resposta, explicou que a fabricação da vacina Qdenga exigiria o uso de plataformas tecnológicas que já estão alocadas para a produção de outras vacinas. A fundação admitiu que, devido a suas atuais instalações, a produção do IFA para essa imunização não seria viável. Em outras palavras, a Fiocruz percebeu que não havia capacidade suficiente em sua planta fabril para fabricar a vacina da Takeda em sua totalidade.
Além disso, ao fazer o pedido ao Ministério da Saúde, a Fiocruz não antecipou a necessidade de produzir o IFA no Brasil, o que contraria um dos princípios fundamentais do programa de parcerias estabelecido pelo Governo.
Com essa negativa, a Fiocruz anunciou que não irá solicitar novamente a autorização ao Ministério da Saúde, o que inviabiliza a produção da vacina Qdenga em território nacional.
A farmacêutica Takeda, por sua vez, expressou que estava disposta a viabilizar a parceria e se mantém aberta ao diálogo com o Ministério da Saúde e o Governo Federal, buscando contribuir com soluções que ampliem o acesso e fortaleçam a capacidade de vacinação do Brasil.
Vale destacar que a vacina já está disponível para adolescentes de 10 a 14 anos no Brasil. Em uma entrevista ao GLOBO em dezembro, o presidente da Takeda mencionou a expectativa de entregar cerca de 18 milhões de doses ao país entre 2026 e 2027. Este mesmo número foi previamente divulgado pelo ministro Alexandre Padilha durante uma coletiva de imprensa em novembro do ano anterior.
