Crescimento de Denúncias e Desafios no Combate à Violência
Na cidade de Imperatriz, a segunda maior do Maranhão, a situação da violência contra a mulher se torna cada vez mais preocupante. Com uma média de quatro denúncias diárias registradas na Delegacia Especializada da Mulher, o número de casos formalizados desde o início do ano já chega a 220. Em 2025, foram mais de mil inquéritos instaurados por violência doméstica, com 536 investigações concluídas no mesmo ano.
Nos dois primeiros meses deste ano, as autoridades prenderam 13 agressores por crimes relacionados à violência contra a mulher, incluindo um caso grave de suspeita de feminicídio. Os crimes abrangem diversas formas de violência, tais como física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, todos previstos pela Lei Maria da Penha e pelo Código Penal.
A delegada Juliana Freitas, responsável pela investigação desses casos, destaca que a delegacia também recebe denúncias onde não há um vínculo afetivo entre vítima e agressor, como em situações de importunação sexual. Isso indica a abrangência do problema, que vai além das relações íntimas.
Ameaças: O Crime Mais Comum
Conforme informações da Polícia Civil, um dos delitos mais frequentes entre as mulheres é a ameaça — uma forma de violência que muitas vezes se apresenta de maneira indireta, dificultando sua identificação como um risco real. A delegada Freitas explica que “o crime de ameaça é mais comum, sendo que muitas mulheres demoram a reconhecer que essa situação é, de fato, perigosa.” Além disso, a violência psicológica tem ganhado destaque, juntamente com situações que não resultam em lesão corporal, mas são consideradas contravenções penais significativas.
O suporte para vítimas de violência é centralizado na Casa da Mulher Maranhense, um espaço que reúne diversos órgãos responsáveis pela proteção feminina em um único local. Esse modelo visa facilitar o acesso ao apoio necessário, evitando que as vítimas precisem buscar ajuda em diferentes instituições pela cidade.
Medos e Barreiras para Denunciar
Apesar da assistência disponível, muitas mulheres ainda hesitam em denunciar por medo e dependência emocional. A psicóloga Iana Freitas observa que, culturalmente, as mulheres são ensinadas a cuidar dos outros, o que pode levar à anulação de suas próprias necessidades. Isso resulta em uma dependência emocional que dificulta a percepção da situação abusiva e a tomada de decisão para romper o ciclo de violência.
A especialista explica que a manipulação emocional, muitas vezes referida como “gaslighting”, contribui para essa dependência e pode criar um ambiente mais hostil para a vítima. “Esse tipo de violência emocional é muitas vezes invisível, mas extremamente nocivo”, ressalta.
Entendendo a Violência Contra a Mulher
É importante saber distinguir as diversas formas de violência contra a mulher, que incluem:
- Violência física: Causar danos à integridade ou à saúde corporal.
- Violência psicológica: Prejudicar a saúde mental e emocional da mulher, limitando sua liberdade.
- Violência sexual: Forçar ou coagir a mulher a participar de relações sexuais indesejadas.
- Violência patrimonial: Retirar, destruir ou subtrair bens e direitos.
- Violência moral: Caluniar ou difamar a mulher.
Se você ou alguém que você conhece está passando por essa situação, é crucial saber como denunciar. A denúncia pode ser feita pelo telefone, em um ambiente seguro e acolhedor. Não hesite em buscar a ajuda necessária.
