Inovação na produção de proteínas no Maranhão
A Biofábrica São Luís está abrindo caminho para um novo segmento industrial ao investir na criação e processamento do Tenebrio molitor, a larva-da-farinha, para produzir farinha proteica, óleo e outros derivados. Essa iniciativa, sediada no Hub SENAI de Inovação e Tecnologia em São Luís, busca ampliar a produção da fase experimental para escala industrial, apoiada em infraestrutura e parcerias estratégicas.
Biorrefinaria de insetos: aproveitamento total da biomassa
O projeto segue o conceito de biorrefinaria, em que a biomassa dos insetos é separada em componentes com aplicações variadas. A farinha proteica, rica em nutrientes, tem potencial para alimentação funcional e nutrição esportiva, enquanto o óleo pode ser usado nos setores alimentício, industrial e nutracêutico. Componentes como quitina e quitosana são aproveitados em bioplásticos, bioinsumos agrícolas e materiais biodegradáveis, garantindo aproveitamento integral e redução do desperdício.
A Biofábrica planeja utilizar todas as etapas do ciclo produtivo, desde a reprodução até o processamento da biomassa, incluindo fases como pupas, para diversificar produtos e aumentar receitas. Atualmente, a tecnologia está em fase de protótipo funcional com produção piloto de farinha, óleo e coprodutos, além da comercialização de insetos vivos. O próximo passo é aprimorar os processos e ampliar a escala de produção.
Parcerias estratégicas para economia circular
Uma das bases para viabilizar o negócio é o uso de resíduos orgânicos de outras indústrias para alimentar os insetos. Essa estratégia cria sinergia com empresas locais do setor alimentício, como Cervejaria Dona, Acerolima e Sabor da Ilha, que fornecem bagaços e cascas de frutas que seriam descartados. A reutilização desses materiais insere a Biofábrica no modelo de economia circular, transformando resíduos em matéria-prima valiosa para a produção de proteínas.
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Fonte: bh24.com.br
O sócio Cláudio Urbano destaca que a participação no Hub SENAI facilita a identificação de parcerias e o acesso a infraestrutura técnica. Essa interação com outras empresas no mesmo ecossistema fortalece o desenvolvimento conjunto de soluções para diferentes etapas produtivas e amplia o alcance do projeto.
Estrutura e desafios da produção industrial
A Biofábrica não foca apenas na farinha proteica, mas também na separação dos componentes da biomassa para atender mercados diversos. A farinha é a principal fonte proteica para formulações alimentícias, enquanto o óleo e os derivados como quitina e quitosana ampliam a oferta para setores industriais e agrícolas. Esse modelo diversificado busca maximizar o valor econômico da produção.
O processo inclui reprodução, alimentação, manejo e controle das fases do inseto, seguido do processamento para extração dos produtos finais. Para avançar da escala piloto à produção industrial, será necessário aprimorar a produtividade, garantir a regularidade do fornecimento e padronizar os produtos, além de identificar as aplicações comerciais mais promissoras.
A atuação no Hub SENAI é fundamental para superar esses desafios, reunindo pesquisa aplicada, infraestrutura e conexões com investidores e financiadores, acelerando a entrada da tecnologia no mercado.
Hub SENAI: ambiente de inovação para tecnologia e negócios
O Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, criado pelo SENAI Maranhão, funciona como um polo que conecta indústrias, startups, pesquisadores e estudantes para desenvolver soluções tecnológicas. Com laboratórios digitais e espaços para prototipagem, o hub atua em seis frentes, incluindo transformação digital e aceleração de startups, fomentando o ecossistema de inovação local.
No caso da Biofábrica, o apoio do Hub é essencial para aprimorar a tecnologia experimental e estruturar a produção industrial, além de facilitar parcerias e o desenvolvimento de novos mercados. Urbano ressalta o valor do convívio com outras empresas e o potencial de integrar processos produtivos e recursos disponíveis na região.
Bioeconomia e o futuro das proteínas sustentáveis
A produção de proteínas a partir de insetos está inserida na bioeconomia, que valoriza recursos biológicos para criar alimentos, materiais e insumos industriais. Embora ainda pequena frente às proteínas tradicionais, essa cadeia produtiva oferece múltiplas oportunidades econômicas no Maranhão, ao conectar empresas de diferentes setores e promover a reutilização de resíduos.
Essa integração gera benefícios para a Biofábrica e seus parceiros, que encontram novos usos para resíduos industriais e fontes alternativas para a alimentação dos insetos. O desafio será consolidar a cadeia produtiva, garantir a qualidade, atender regulamentações e estabelecer relações comerciais sólidas para ampliar a produção.
