Robótica na EJA: um caminho para a inclusão tecnológica
A Prefeitura de Imperatriz, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), está expandindo o acesso à tecnologia para estudantes da educação de jovens e adultos (EJA). Atualmente, a iniciativa chegou a sete escolas da rede municipal, levando aulas de robótica que buscam superar as barreiras digitais enfrentadas por jovens, adultos e idosos que retornam ou iniciam os estudos fora da idade convencional.
O projeto valoriza as experiências prévias dos estudantes, promovendo um aprendizado prático e conectado ao cotidiano. A robótica educacional, ao estimular o pensamento computacional, reforça a autonomia e mostra que a tecnologia pode ser acessível para todos, independentemente da idade ou trajetória escolar.
Metodologias que envolvem tecnologia com e sem equipamentos
As aulas são realizadas no turno dos estudantes e combinam duas modalidades: a robótica plugada, que utiliza computadores, tablets, softwares e kits eletrônicos; e a desplugada, que aborda conceitos de lógica e programação sem o uso de telas ou dispositivos digitais.
Essa abordagem permite que os alunos compreendam sequências de comandos, desenvolvam organização e resolvam desafios práticos, respeitando diferentes ritmos de aprendizagem. Para o secretário municipal de Educação, Magno Ribeiro, a iniciativa vai além do ensino técnico e promove inclusão social.
“Ver um senhor ou uma senhora conseguindo programar um robô ou mandar um e-mail pela primeira vez muda a chave de como a pessoa se enxerga no mundo”, destaca o secretário.
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Superando desafios do acesso digital na EJA
O professor Shesman Renato, da Escola Municipal Maria das Neves Marques de Sousa, revelou a dimensão do desafio ao constatar que apenas cerca de 10% dos estudantes conheciam o conceito de e-mail ou já haviam utilizado essa ferramenta.
Para contornar essa realidade, ele organizou os alunos em grupos para realizar pesquisas, tirar fotos e enviar os arquivos por e-mail para outra equipe. A equipe receptora precisava confirmar o recebimento e repassar as informações para os demais colegas, transformando a atividade em um exercício prático de comunicação, organização e colaboração.
Essa experiência destacou o valor de atividades contextualizadas para despertar o interesse dos estudantes pela tecnologia e desenvolver habilidades digitais essenciais.
Robótica como ferramenta para reforçar conteúdos escolares
Além da inclusão digital, o projeto utiliza a robótica para integrar conteúdos de diversas disciplinas. Na matemática, os alunos aplicam cálculos de ângulos e distâncias para programar movimentos dos robôs. Em ciências e física, exploram conceitos como engrenagens, polias, sensores, velocidade e gravidade.
O processo de programação também exige interpretação de comandos, organização sequencial e raciocínio lógico. O contato com interfaces tecnológicas ainda favorece a familiarização com termos em inglês, enquanto a leitura de instruções fortalece habilidades em língua portuguesa.
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Fonte: noticiadesalvador.com.br
Segundo James Bonfim, coordenador de Ciências e Tecnologia da Semed, o projeto está alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a área de Computação.
Impactos da robótica na aprendizagem e autonomia dos estudantes
Levar robótica para as escolas da EJA amplia o contato dos alunos com ferramentas digitais presentes no cotidiano e no ambiente profissional. Para quem teve pouco ou nenhum acesso anterior à tecnologia, essa experiência abre uma nova etapa da discussão regulatória rumo à autonomia.
O projeto também fortalece a autoestima e o sentimento de pertencimento, mostrando que o aprendizado tecnológico não tem idade e é possível em qualquer fase da vida.
Atendendo sete unidades, a iniciativa amplia as oportunidades educacionais na rede municipal de Imperatriz. O futuro do projeto dependerá da continuidade das atividades e do compromisso com a oferta de experiências que aproximem os estudantes das tecnologias digitais.
