Críticas ao Fim da Escala 6×1
Na abertura da Expozebu, realizada em Uberaba no Triângulo Mineiro, lideranças do agronegócio expressaram descontentamento com a proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que visa acabar com a escala de trabalho 6×1, uma prática importante para o setor. O evento, um dos mais significativos da pecuária nacional, é promovido pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), que conta com 22 mil associados e movimenta anualmente mais de R$ 200 milhões em negociações, abrangendo 41 leilões e 11 shoppings de animais até o dia 3 de maio.
Durante o evento, o presidente da ABCZ, Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges, fez um discurso enfático. Ele ressaltou a necessidade de discutir a questão da jornada de trabalho com seriedade, considerando todas as possíveis consequências para a economia do setor. “É fundamental que nossos parlamentares se manifestem contra essa proposta, que pode trazer impactos negativos sem precedentes ao agronegócio”, afirmou Borges, ao receber aplausos dos presentes, que incluíam representantes de diversas entidades e pecuaristas.
Prioridades do Setor em Debate
Logo após Borges, o presidente da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), Tirso Meirelles, também se posicionou contra a mudança proposta. Ele criticou as políticas públicas atuais e enfatizou que o foco deve estar em outras prioridades antes de discutir a alteração da jornada de trabalho. “Arrecadamos R$ 3 trilhões em impostos e, durante mais de cinco meses, estamos apenas pagando impostos, mas o que a sociedade realmente recebe? Uma reforma que só concentra poder nas mãos do governo”, declarou Meirelles, que acrescentou que o foco deve ser na estruturação do país, em vez de mexer na jornada de trabalho.
Ele ainda fez questão de elogiar os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), destacando a coragem de ambos em se lançar em um cenário de polarização política. Meirelles comparou o momento atual do Brasil com o cenário da Coreia do Sul nos anos 1960, onde o país conseguiu um crescimento econômico significativo ao longo de seis décadas.
Tramitação da Proposta de Redução da Jornada de Trabalho
No Congresso, a proposta de redução da jornada de trabalho está em discussão, com a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara tendo aprovado um relatório favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa a mudança. Essa PEC, porém, possui um trâmite mais lento, sem possibilidade de veto presidencial, e o governo vem defendendo a tramitação via Projeto de Lei (PL), um ponto controverso, especialmente com a posição do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Atualmente, há duas PECs em andamento, uma dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e outra de Erika Hilton (PSOL-SP), que buscam reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas. A proposta de Hilton também sugere uma nova escala de trabalho, estabelecendo 4 dias de trabalho com 3 dias de descanso. O governo, por sua vez, considera a atual proposta de jornada work outdated e está propondo um limite de 40 horas semanais, sem imposição de um regime fixo de escala, deixando isso a cargo das negociações entre trabalhadores e empregadores.
Essa redução da jornada é vista como uma estratégia do governo para melhorar a aceitação do presidente Lula em um ano eleitoral.
Expozebu: Um Panorama da Pecuária
A Expozebu, que ocorre em Uberaba desde 1935, chega à sua 91ª edição. Este ano, a feira acontece em um contexto favorável, com a arroba do boi valorizada, apresentando uma alta de 11,18% em relação ao ano passado, conforme dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. No dia 23 de abril, o preço da arroba foi cotado a R$ 362,40, em comparação aos R$ 325,95 do ano anterior.
Esperam-se cerca de 400 mil visitantes até o final do evento, que inclui não apenas leilões e exposições, mas também concursos leiteiros, rodadas de negócios internacionais, e uma série de atividades voltadas ao fortalecimento do agronegócio. Este é um momento crucial para o setor, que busca não apenas reafirmar sua importância econômica, mas também discutir questões que podem impactar seu futuro próximo.
