Concurso Histórico de Educação Indígena no Amapá
Mais de 20 anos após o último certame voltado à educação indígena, o Governo do Amapá realizou no último domingo, 26, um concurso histórico que visa fortalecer o ensino nas comunidades tradicionais. Essa seleção pública ofereceu cinco cargos destinados a profissionais atuantes em escolas indígenas estaduais e atraiu 1.163 candidatos de diferentes povos originários, uma articulação inédita no estado.
As provas foram aplicadas simultaneamente em quatro locais estratégicos: na Escola Estadual Tiradentes, em Macapá; na Escola Estadual Joaquim Nabuco e na Escola Indígena Estadual Jorge Iaparrá, em Oiapoque; e na Escola Estadual Professora Maria Helena Cordeiro, em Pedra Branca do Amapari. A escolha dos polos levou em conta as especificidades territoriais, garantindo assim o acesso dos candidatos aos locais de aplicação.
No total, foram disponibilizadas 209 vagas imediatas e 203 para cadastro reserva, totalizando 412 oportunidades para os cargos de Professor Indígena Classe A, Professor Indígena Classe C, Pedagogo Indígena, Especialista em Educação Indígena e Auxiliar Educacional Indígena. Essa iniciativa é uma resposta concreta a uma demanda histórica das comunidades indígenas, integrando as ações do mês dos povos originários e reafirmando o compromisso do Estado com a valorização da diversidade cultural e a ampliação do acesso à educação pública de qualidade nos territórios tradicionais.
“Este é um momento histórico, pois há mais de 20 anos não ocorria um concurso como este. Foi uma reivindicação contínua das comunidades indígenas diante da carência de profissionais nas escolas. Essa conquista é desejada por todos”, disse Karina Karipuna, membro da comissão organizadora do concurso pela Secretaria de Estado da Educação.
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Realidades Indígenas e Diversidade Cultural
A organização do concurso considerou as diferentes realidades dos povos indígenas do Amapá e do norte do Pará. Candidatos de diversas etnias, incluindo Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’na, Palikur, Wajãpi, Tiriyó, Kaxuyana, Apalai e Wayana, participaram, assim como indígenas urbanos.
A distribuição dos candidatos ficou assim: 275 em Macapá, 346 em Oiapoque, 372 na Aldeia Manga e 170 em Pedra Branca do Amapari. As vagas são destinadas a escolas indígenas estaduais localizadas nas terras indígenas Uaçá, Juminã e Galibi, em Oiapoque; na Terra Indígena Wajãpi, em Pedra Branca do Amapari; e no Parque do Tumucumaque, abrangendo comunidades do Amapá e do norte do Pará.
Fortalecimento da Rede Educacional Indígena
Neste momento, a rede pública estadual conta com 54 escolas indígenas e 143 salas anexas, atendendo a cerca de 3.825 estudantes em diversas etapas e modalidades de ensino. Contudo, a demanda por profissionais efetivos aumentou nos últimos anos devido à expansão da rede, ao crescimento populacional e ao número de aposentadorias.
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O único concurso anterior ocorreu em 2006 e se limitou ao cargo de Professor Indígena para atuação nos anos iniciais. Desde então, funções como Pedagogo Indígena e Especialista em Educação Indígena foram desempenhadas por meio de contratos temporários, enquanto o cargo de Auxiliar Educacional Indígena não constava formalmente na estrutura escolar.
Com salários iniciais variando entre R$ 3.687,33 e R$ 6.957,43, o concurso também representa um investimento mensal superior a R$ 2,8 milhões para a remuneração das vagas imediatas e do cadastro reserva.
Reconhecimento e Direitos Assegurados
A secretária de Estado da Educação, Francisca Oliveira, esteve presente durante a aplicação das provas na Aldeia Manga e na Escola Estadual Joaquim Nabuco, ressaltando o significado do certame para os povos originários. “Este concurso é um marco para o povo do Amapá, pois há 20 anos não acontecia uma seleção específica para a educação indígena. Estamos garantindo oportunidades para uma população que historicamente foi excluída, assegurando seus direitos”, afirmou.
A gestora também comentou sobre o suporte oferecido pelo Governo do Estado para assegurar a participação dos candidatos. “O governador Clécio Luís garantiu toda a infraestrutura logística, incluindo transporte terrestre e aéreo, além de aulões presenciais e online para reforçar os conteúdos do edital. O Governo do Amapá está promovendo o direito à educação, respeitando a diversidade do território e garantindo educação pública de qualidade”, completou.
Um Sonho Coletivo
Entre os candidatos, prevalecia um sentimento de esperança. Franck Nunes Labontê, professor de História da etnia Galibi Marworno e vice-cacique da Aldeia Kumarumã, formado pela Universidade Federal do Amapá (Unifap) em Oiapoque, destacou a importância da oportunidade: “Estou aqui para participar deste concurso específico para indígenas. Sou formado em Licenciatura Intercultural Indígena e espero garantir uma vaga. Isso representa a realização de um sonho e uma oportunidade significativa para todos nós”.
O concurso reafirma uma política pública de valorização dos povos originários, respeitando suas línguas, identidades e métodos de ensino. Após duas décadas, o Amapá se destaca nacionalmente na elaboração de ações específicas para a educação indígena, fortalecendo o futuro das comunidades tradicionais através do conhecimento.
