Controvérsia Durante Debate na USP
O debate realizado na Universidade de São Paulo (USP) sobre saúde pública gerou um confronto acalorado entre Izadora Dias, candidata ao governo de São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), e estudantes presentes. Izadora defendeu que os presídios devem ser organizados conforme o sexo biológico dos detentos, ressaltando que apenadas têm sofrido ameaças e violência sexual devido à presença de mulheres trans em unidades masculinas. A militante publicou um vídeo com suas declarações em seu perfil no Instagram, no qual também estavam presentes outros candidatos ao governo estadual.
Durante sua fala, Izadora destacou as diferenças biológicas entre homens e mulheres, como a capacidade de gestação e amamentação, classificando como “negacionismo” as posições que relativizam essas distinções. Essa postura gerou reação imediata de uma estudante do Centro Acadêmico Emílio Ribas (CAER), que organizava o debate junto à Associação Paulista de Saúde Pública e à Faculdade de Saúde Pública da USP no dia 28.
Repercussão e Acusações de Transfobia
A estudante rebateu afirmando que a ciência não comprova diferença entre homens e mulheres nesse contexto, e alertou que as declarações de Izadora poderiam configurar crime de transfobia, previsto na lei do racismo, sendo inafiançável e imprescritível conforme a interpretação jurídica vigente. Sem demonstrar recuo, Izadora reforçou sua posição, afirmando que o PCO não altera suas opiniões para se adequar à opinião pública.
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Durante o embate, a candidata foi acusada de transfobia, o que ela contestou ao questionar o respeito à democracia e associar a lei do racismo a punições políticas, citando apoiadores da Palestina. Izadora ainda mencionou que atitudes como as dela contribuiriam para a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em primeiro turno e para as chances de Flávio Bolsonaro vencer Lula. O clima tenso levou estudantes a solicitar a presença da polícia, que não compareceu; ao final, foram orientados a registrar um Boletim de Ocorrência.
Posicionamentos Oficiais
O Centro Acadêmico Emílio Ribas divulgou nota acusando Izadora de usar o vídeo do debate para autopromoção e de propagar estereótipos violentos contra grupos marginalizados, além de desrespeitar direitos à existência e dignidade. A USP e a Faculdade de Saúde Pública também emitiram posicionamento conjunto à Folha de S.Paulo, repudiando a conduta da candidata. Ressaltaram que promover debate democrático envolve permitir diferentes opiniões, mas isso não implica concordância institucional com todas as manifestações no evento.
A Gazeta do Povo tentou contato com a USP para esclarecer o episódio, mas não obteve retorno; a universidade terá espaço aberto para manifestação caso deseje. O PCO, por sua vez, publicou em seu veículo oficial um artigo sobre o caso, mencionando incidentes similares em universidades públicas de Brasília e Santa Catarina. No texto, o partido critica o uso da acusação de transfobia como instrumento para deslegitimar adversários, transformando a discordância em intolerância e repressão.
