Números Preocupantes de Violência Doméstica em Imperatriz
IMPERATRIZ – A Delegacia Especializada da Mulher de Imperatriz revelou que mais de mil inquéritos por violência doméstica foram registrados em 2025. Destes, 536 investigações foram encerradas no mesmo ano. Desde o início de 2026, já foram instaurados 220 novos casos, resultando em uma média de quatro denúncias diárias, apenas considerando os casos formalizados até agora.
O atendimento às vítimas na segunda maior cidade do Maranhão ocorre na Casa da Mulher Maranhense, que concentra diversos órgãos da rede de proteção. Nesse espaço, funcionam o Centro de Referência de Atendimento à Mulher, a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, a Promotoria de Justiça da Mulher, assim como a Vara Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Imperatriz. A estrutura foi projetada para oferecer um suporte completo às mulheres que optam por denunciar, evitando que elas precisem percorrer vários lugares na cidade.
Desafios no Rompimento de Relações Abusivas
Apesar da infraestrutura especializada, muitas mulheres ainda encontram barreiras para romper laços com seus agressores. O medo e a dependência emocional são citados como os principais obstáculos. “Nós mulheres, de certa forma, fomos ensinadas a cuidar dos outros e, ao focar excessivamente no bem-estar alheio, algumas acabam se anulando e não percebem essa dependência. Ao se anular, muitas mulheres tornam-se incapazes de imaginar a vida sem o agressor e, assim, a manipulação emocional se intensifica. Esse comportamento, conhecido como ‘gaslighting’, é uma forma de violência”, esclarece a psicóloga Iana Freitas.
Perfil das Denúncias de Violência
Conforme informações da polícia, o crime mais frequente registrado é o de ameaça, que, em muitas situações, se manifesta de maneira sutil e pode demorar a ser reconhecido como um risco. “A ameaça, muitas vezes, é velada e a mulher leva tempo para perceber que essa narrativa é, de fato, perigosa. A violência psicológica também se destaca, assim como as vias de fato, que, embora não sejam lesões corporais, constituem uma contravenção penal relevante no contexto de violência doméstica e são frequentemente investigadas pela delegacia. Os crimes sexuais também estão incluídos nas ocorrências”, destaca a delegada Juliana Freitas.
Prisão de Agressores e Prevenção ao Feminicídio
Até fevereiro de 2026, 13 agressores foram detidos em Imperatriz por crimes relacionados à violência contra a mulher, incluindo um suspeito de feminicídio. “Trabalhamos incansavelmente para prevenir o feminicídio. Pequenos incidentes que parecem rotineiros, como envio de imagens de armas ou munições, ou mesmo frases que, à primeira vista, não parecem ameaçadoras, podem assumir uma gravidade imensa no contexto da violência doméstica e resultar em delitos mais sérios”, conclui a delegada.
