Ação da CNBB para o Patrimônio Cultural
A Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem se dedicado a promover a importância dos bens culturais da Igreja, que são reconhecidos como Patrimônio Cultural nas esferas federal, estadual e municipal. Esses bens não apenas refletem a identidade cultural do Brasil, mas também representam a memória histórica da fé católica.
O arcebispo de Fortaleza (CE) e presidente da Comissão de Cultura e Educação, dom Gregório Paixão, cita uma carta circular de 2001 que discute a função pastoral dos museus eclesiásticos. Ele enfatiza que, para a Igreja Católica, os bens culturais são fundamentais, pois ajudam a redescobrir o caminho da fé, permitindo que obras de diversas gerações sejam apreciadas e preservadas.
Formação de Comissões Regionais
Desde 2024, os setores Cultura e Bens Culturais da CNBB têm promovido a criação das Comissões Regionais de Bens Culturais da Igreja. Essas comissões têm o objetivo de auxiliar as (arqui)dioceses na preservação e promoção do patrimônio cultural eclesiástico. Dom Gregório salienta que essas comissões são essenciais para a pastoral da cultura da Igreja, atuando como importantes órgãos de apoio e orientação.
O padre Luciano da Silva Roberto, assessor do Setor Cultura, destacou que o processo está sendo construído de forma colaborativa, ouvindo as necessidades e dificuldades enfrentadas pelos bispos brasileiros. Isso visa encontrar soluções eficazes para as demandas relacionadas à salvaguarda do patrimônio cultural da Igreja.
Cooperação com o IPHAN e Seminários Nacionais
Um desdobramento significativo do Acordo entre o Brasil e a Santa Sé foi a assinatura, em junho de 2025, de um novo Acordo de Cooperação Técnica entre a CNBB e o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Esse acordo dá continuidade ao primeiro, com a adição de novas atividades em prol dos bens culturais tombados como Patrimônio Cultural.
Em agosto do mesmo ano, o 1º Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico foi realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com o tema “Desafios e Alternativas de Financiamentos”. O evento, organizado pela CNBB em parceria com diversas instituições, resultou na formação de um Grupo de Trabalho coordenado pela CNBB para aprofundar as discussões sobre o tema.
Criação do Fundo Patrimonial Filantrópico
Em setembro de 2025, a CNBB instituiu o “Grupo de Trabalho sobre o Fundo Patrimonial Filantrópico para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil”. Esse grupo, composto por representantes de universidades católicas, do MPF, do IPHAN e de outras instituições, está encarregado de desenvolver um estudo técnico e elaborar uma proposta que será apresentada na Assembleia Geral da CNBB em Aparecida, São Paulo, no próximo mês de abril.
O encontro realizado no dia 18 de abril marcou a primeira reunião com (arce)bispos que têm na sua jurisdição bens culturais da Igreja com tombamento nacional, abrangendo 73 arquidioceses e dioceses, além de uma prelazia. O cardeal Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, participou do evento de forma online, ressaltando a relevância do patrimônio cultural na evangelização da Igreja.
Desafios e Propostas Futuras
O bispo de Camaçari (BA) e referencial do Setor Bens Culturais destacou que a criação do fundo é uma resposta a um desafio coletivo, buscando fortalecer a gestão dos bens culturais. As contribuições e observações dos participantes foram coletadas para serem incorporadas na proposta final que será discutida na Assembleia.
Este esforço da CNBB e de suas comissões regionais reflete um compromisso profundo com a preservação do patrimônio cultural e a continuidade da tradição católica no Brasil. À medida que as discussões avançam, espera-se que novas soluções e colaborações surjam para enfrentar os desafios que ainda persistem.
