Um Encontro de Arte e Memória dos Povos Originários
Na última sexta-feira, dia 17, o Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Oka Ka Inaminanoko promoveu um evento que celebrou a cultura e a ancestralidade indígena, envolvendo toda a comunidade escolar em um intercâmbio cultural vibrante. A programação foi especialmente organizada em homenagem ao Dia dos Povos Indígenas, que será comemorado no próximo domingo, 19 de abril. Durante o encontro, os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar diversas atividades que incluíram rodas de conversa, sarau poético, mediação de obras de arte, exposição de comidas tradicionais e apresentações de danças típicas.
A presença da estudante egressa do Ceti, Hayra Guajajara, trouxe um toque especial ao evento. Hayra, que se destacou na escola e conquistou sua aprovação no curso de Direito na Universidade Federal do Piauí (UFPI) em 2025, compartilhou sua experiência. “É um momento especial em que a gente consegue compartilhar um pouco da nossa cultura e dos costumes, trazendo mais visibilidade e fazendo com que as pessoas conheçam um pouco mais da nossa realidade. Foi uma experiência maravilhosa poder compartilhar e fazer essa troca de conhecimento sobre as comunidades indígenas”, disse ela.
A gestora do Ceti Oka Ka Inaminanoko, Aline Heira, também se manifestou sobre a importância do evento. Para ela, celebrar a diversidade dos povos originários é fundamental. “Temos hoje diversas etnias que compõem o nosso território, então precisamos celebrar isso e manter viva essa diversidade. Sempre reforçando que nós, indígenas, pertencemos a esse território. Tudo isso é o que mantém a nossa cultura viva, nossa resistência e nossas tradições”, afirmou Aline.
Valorização e Identidade dos Povos Indígenas
O evento faz parte do projeto Taw ka Ubanoko – Abril Indígena, que se dedica a integrar ações pedagógicas e culturais voltadas à valorização dos povos indígenas nas escolas. Essa proposta tem como objetivo promover vivências que fortaleçam a identidade, a memória e os saberes tradicionais dos povos originários. No Piauí, a cultura indígena se mantém forte e se expande por meio das iniciativas educacionais. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc/PI), por meio da Unidade de Educação Escolar Indígena e Quilombola (UEEIQ), tem adotado estratégias para atender as demandas específicas dos povos indígenas, sempre respeitando suas tradições.
Com a criação do Ceti Oka Ka Inaminanoko, uma das primeiras escolas indígenas do Brasil a oferecer formação técnica integrada ao Ensino Médio, o Piauí dá um passo importante na educação desses jovens. A escola, que atualmente atende 164 estudantes das etnias Warao e Guajajara, oferece o curso técnico de Administração com ênfase em Empreendedorismo e também conta com turmas na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), voltadas para a etnia Warao.
Compromisso com a Educação Indígena
Atualmente, a rede estadual de ensino no Piauí conta com mais de 1.300 estudantes que se autodeclaram indígenas, pertencentes a etnias como Guajajara, Kariri, Tabajara e Warao. Para aprimorar o atendimento a esse público, a Seduc tem promovido formações continuadas e parcerias com a rede municipal, com o intuito de fortalecer o atendimento educacional aos povos indígenas, tanto na capital quanto nos municípios. O secretário de Estado da Educação, Rodrigo Torres, reafirma o comprometimento do governo em atender às demandas dos povos originários. “Vamos trabalhar para continuar ampliando o acesso à educação de qualidade para todas essas comunidades. Queremos garantir o acesso à educação e investir em formações continuadas para que a nossa rede esteja capacitada a atender todas essas pessoas, respeitando as particularidades, culturas, línguas e histórias de cada povo”, conclui o secretário.
