Evento Promove Ação Política para Sair dos Combustíveis Fósseis
Santa Marta, Colômbia (22 de abril de 2026) – Em meio ao agravamento da crise dos combustíveis fósseis, a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que ocorrerá entre 24 e 29 de abril, representa uma oportunidade significativa para acelerar a implementação do acordo histórico da COP28, que visa a eliminação dessas fontes de energia. O evento, organizado pelo WWF, destaca a urgência em avançar nessa transição, que não pode mais ser ignorada.
Atualmente, o clima da Terra enfrenta um desbalanceamento sem precedentes. O uso continuado de carvão, petróleo e gás está entre as principais causas da crise climática, responsável pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa e por graves impactos sociais e ambientais. As decisões que governos e empresas tomarem nesta década serão cruciais para garantir um futuro habitável.
A Conferência de Santa Marta surge em um contexto crítico, sendo promovida por uma coalizão independente de países, entre os quais Colômbia e Países Baixos, que trabalham para colocar em prática o acordo da COP28. Essa iniciativa busca a transição definitiva para longe dos combustíveis fósseis, e a sociedade civil, através da Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative, também se uniu ao evento, que contará com a participação de diversas redes e organizações na Cúpula dos Povos.
Além de ser um espaço político independente, a Conferência se alinha aos esforços formais da UNFCCC e à iniciativa da presidência brasileira da COP30, que visa elaborar um Mapa do Caminho para a descontinuação dos combustíveis fósseis. A expectativa é que o evento contribua para acelerar a ambição do consenso multilateral em torno da transição energética.
O WWF ressalta a importância de que os governos demonstrem liderança política, adotando medidas concretas que impulsionem a implementação em nível nacional. A organização espera que a Conferência de Santa Marta ajude a moldar o Mapa do Caminho proposto pela presidência da COP30, focando na transição energética.
Manuel Pulgar-Vidal, líder global de clima e energia do WWF e ex-presidente da COP20, enfatiza: “Os combustíveis fósseis são uma chama que continuamos a acender em um mundo já em chamas. A transição para energias renováveis deve ser rápida e global, e a formação de uma coalizão de países dispostos a agir é essencial. Santa Marta se apresenta como uma oportunidade importante que não podemos perder.”
A conferência terá como pilares centrais: superar a dependência econômica dos combustíveis fósseis; transformar a oferta e a demanda de energia; e avançar em cooperação internacional e diplomacia climática. O WWF apela para que os governos interrompam a expansão de novos combustíveis fósseis, reduzam a demanda e eliminem subsídios, além de promoverem uma governança efetiva sobre essa questão.
Fernanda de Carvalho, líder global de políticas climáticas e energéticas do WWF, destaca que a Conferência de Santa Marta é uma chance única para demonstrar um comprometimento genuíno com a transição energética. “É essencial que os governos mostrem que estão prontos para acelerar a implementação dos compromissos internacionais. O engajamento dos países desenvolvidos será vital para garantir uma transição equitativa,” afirma.
A discussão sobre a transição energética já se consolidou como uma necessidade não apenas climática, mas também econômica e estratégica. O Brasil, nesse contexto, possui a oportunidade de alinhar sua política energética às tendências globais. Isso implica na construção de um Mapa do Caminho bem definido, que estabeleça prazos claros para a eliminação dos combustíveis fósseis.
Para Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, a conferência representa a urgência de transformar compromissos globais em ações concretas, com impacto direto sobre o Brasil. “O país tem as condições necessárias para liderar uma transição energética planejada, mas precisa estabelecer um Mapa do Caminho claro para o fim dos combustíveis fósseis, com metas realistas e prazos definidos. Não podemos adiar decisões que minimizem riscos e promovam um desenvolvimento sustentável e competitivo,” conclui.
