Reajustes nos Planos de Saúde e suas Consequências
Os custos dos planos de saúde coletivos para empresas, que cobrem a saúde de funcionários, estão projetados para subir este ano em média entre 9% e 10%. Este percentual, embora inferior ao aumento médio de 11% registrado no ano passado, representa o dobro da inflação prevista, que é de 4,80% segundo o último Boletim Focus do Banco Central. Essa situação gera preocupações sobre a sustentabilidade do atendimento médico no país, considerando que os reajustes são influenciados por uma combinação de fatores como a inflação médica e a sinistralidade.
Em 2025, as operadoras de planos de saúde relataram um lucro operacional significativo de R$ 24,4 bilhões, o que representa um aumento de 120,6% em comparação ao ano anterior. Este crescimento pode ser atribuído às correções feitas nos contratos ao longo da pandemia, que visavam compensar as perdas financeiras enfrentadas pelas operadoras naquele período crítico.
Impactos Diretos nos Beneficiários
Enquanto os planos individuais têm seus aumentos controlados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos coletivos não têm esse teto, resultando em reajustes que em alguns casos chegaram a 40%. Entre 2023 e 2024, os aumentos foram de 13,19% e 14,14%, respectivamente. A questão da migração para outros planos de saúde se torna cada vez mais complexa, uma vez que as reclamações aos órgãos reguladores superaram 4.500, o que leva a ANS a exigir explicações das operadoras.
Por que os Reajustes estão Aumentando?
A correção dos planos é determinada por indicadores que refletem as despesas médicas dos usuários, como medicamentos e equipamentos hospitalares. De acordo com a ANS, a sinistralidade, que mede quanto da receita das operadoras foi gasto com o atendimento dos beneficiários, foi de 81,7% no ano passado. Esse número representa uma ligeira queda em comparação aos 83,7% de 2024, o que sugere um aumento nas despesas assistenciais em relação ao que as operadoras cobraram.
Thomás Ishizuka, superintendente atuarial da consultoria Mercer Marsh Benefícios, que atende 5 milhões de pessoas, informou que a inflação médica na sua carteira foi de 9,1%, e a sinistralidade fechou em 78,4%. Segundo ele, a redução na inflação médica se deve ao controle das fraudes e a melhores acordos de preços estabelecidos entre operadoras e prestadores de serviços de saúde.
Soluções Implementadas e Expectativas Futuras
As operadoras têm adotado medidas rigorosas para reduzir custos, como a restrição de reembolsos e o aumento das taxas de coparticipação, que subiram de 53,3% para 59,1% entre 2020 e 2024. Essas estratégias visam modificar o comportamento dos usuários, incentivando-os a utilizar médicos da rede credenciada e a pensar cuidadosamente antes de buscar atendimento de emergência. Vinicius Figueiredo, analista de Saúde do Itaú BBA, acredita que essas abordagens ajudarão a conter o aumento dos reajustes.
O Futuro dos Planos de Saúde
Embora a perspectiva para os reajustes de 2026 seja mais otimista, com projeções de até 10%, a abordagem cautelosa das operadoras reflete a necessidade de balancear lucro e acessibilidade. Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge, expressou que, apesar de uma melhoria no setor, a sustentabilidade não é garantida, especialmente em pequenas e médias operadoras que ainda enfrentam resultados operacionais negativos.
Por último, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal de aumentar as exigências para que os planos de saúde cobram procedimentos fora do rol da ANS pode ser um fator que contribui para a diminuição nos aumentos de tarifas no futuro. Bruno Sobral, da FenaSaúde, observa que a reavaliação das políticas de cobertura e o entendimento sobre as novas diretrizes levarão tempo, mas podem resultar em uma maior estabilidade no setor de saúde suplementar.
