Projeto Restart Serra visa impulsionar inovação em empresas afetadas pela enchente
A Universidade de Caxias do Sul lidera uma iniciativa pioneira para ajudar empresas da Serra Gaúcha impactadas pela enchente de 2024 a se tornarem mais resilientes e inovadoras. Batizado de Restart Serra, o projeto é conduzido pela Agência de Inovação UCSiNOVA e tem como foco principal a aplicação de tecnologias para fortalecer os negócios locais em quatro áreas estratégicas: biotecnologia, software, engenharia mecânica e saúde.
Viabilizado por um edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), o Restart Serra foi estruturado em três fases. A primeira etapa, já concluída, consistiu no mapeamento detalhado de possíveis colaboradores econômicos e tecnológicos da região. Para isso, a equipe utilizou a metodologia do grupo de pesquisa Global Ecosystem Dynamics, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), contando inclusive com a participação de pesquisadores americanos, o que reforça a precisão e a abrangência do estudo.
Mentorias, hackathons e novos negócios tecnológicos
A segunda fase do projeto está dividida em duas frentes. Uma delas envolve a seleção de pelo menos 20 micro e pequenas empresas diretamente afetadas pelas enchentes para participarem de clínicas de inovação. Essas empresas receberão mentorias e consultorias especializadas para incorporar tecnologias mapeadas em seus modelos de negócio e, assim, aprimorar sua capacidade de enfrentar futuras adversidades climáticas.
O edital para essa seleção ainda está em elaboração, mas as empresas interessadas já podem se manifestar. As tecnologias contempladas abrangem setores como biotecnologia, software, engenharia mecânica e saúde, todas com potencial para melhorar a resistência e produtividade dos negócios locais.
Paralelamente, estão previstos quatro hackathons em cidades estratégicas da Serra: dois em Caxias do Sul, um em Bento Gonçalves e outro em Canela. Esses eventos serão oportunidades para desenvolver pelo menos dois novos negócios inovadores, focados em soluções tecnológicas que respondam aos desafios impostos por desastres naturais. O primeiro hackathon já tem data marcada para 15 e 16 de agosto, em Caxias do Sul, com os demais eventos ocorrendo entre setembro e dezembro.
“Vamos aplicar uma metodologia que ajuda as empresas a implementar efetivamente essas inovações, tornando-as mais resilientes. Esse processo seguirá até meados de 2025, quando entraremos na fase final de aceleração”, explica o pesquisador da UCS e coordenador do Restart Serra, Fábio Verruck.
Conexão com financiamento e expansão das iniciativas
A terceira e última fase do Restart Serra tem como propósito conectar as empresas participantes a projetos de financiamento, facilitando a captação de recursos para implementação das tecnologias. Por meio de uma espécie de crowdfunding, as empresas poderão apresentar seus projetos, avaliar a viabilidade e custos, e buscar investimentos para ampliar suas operações com base na inovação.
Além de criar dois novos negócios tecnológicos e fortalecer as empresas atingidas pelas enchentes de 2024, o projeto busca sensibilizar o empresariado local sobre a importância da tecnologia para aumentar a resiliência diante de eventos climáticos extremos.
“Queremos que essas 20 empresas sejam apenas o começo. A meta é abrir os olhos de todo o setor empresarial da Serra para o potencial das tecnologias existentes e como elas podem preparar as empresas para os desafios do futuro”, conclui Verruck.
Empresas interessadas em participar da iniciativa podem entrar em contato com a coordenação do Restart Serra pelo telefone (54) 3218-2034 ou pelo e-mail restartserra@gmail.com.
