Produtores Brasileiros em Alerta
A preocupação com a quantidade e o preço de venda do alho importado tem gerado alarme entre os agricultores brasileiros. Desde 2008, representantes do setor têm alertado para os prejuízos significativos causados pelo desequilíbrio na oferta. Esta questão será abordada durante uma reunião promovida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) nesta terça-feira, 14.
O encontro, que conta com a colaboração do Ministério da Agricultura, reunirá líderes do setor produtivo, legisladores e membros do Executivo para discutir os desafios enfrentados pelo agronegócio, com ênfase na produção de alho nacional.
Desigualdade na Competição
No Brasil, os principais estados produtores de alho incluem Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Aproximadamente 60% do alho consumido no país é cultivado em solo brasileiro.
No entanto, entidades como a Associação Nacional de Produtores de Alho (Anapa) reivindicam que a competição entre a produção local e a importada é injusta. O aumento das importações de alho da China e da Argentina é uma preocupação central. A prática de dumping, que consiste em exportar um produto por um preço inferior ao seu custo de produção, está no centro das discussões, pois prejudica a produção local.
Recentemente, em setembro de 2025, o governo federal prorrogou por mais cinco anos a aplicação de medidas antidumping às importações de alho fresco ou refrigerado provenientes da China, estabelecendo uma taxa adicional de R$0,78 por quilo. Essa medida não é nova; já havia sido instaurada em 1996, após a constatação de que o alho chinês era vendido a preços inferiores aos do produto nacional. Essa linha de defesa foi renovada em 2001 e 2007.
Apesar da norma, a Anapa denuncia que sua aplicação não está sendo efetiva. Em setembro e novembro de 2025, decisões judiciais isentaram três importadoras da sobretaxa sobre o alho chinês, desconsiderando a regulamentação federal.
Reivindicações do Setor
O presidente da Anapa, Rafael Cursino, expressa a expectativa de que a reunião com a Frente Parlamentar resulte em ações que beneficiem os produtores, tanto no curto quanto no longo prazo. Ele destaca: “Esperamos que essa mobilização sensibilize o governo federal e o Parlamento para a seriedade da situação que os agricultores de alho enfrentam no Brasil. Atualmente, estamos diante de um cenário muito desafiador: dificuldade para comercializar a safra, pressão nos preços e aumento significativo das importações, o que afeta diretamente a renda no campo.”
Entre as pautas prioritárias apresentadas pela Anapa estão a abertura de uma investigação antidumping para o alho argentino e a revisão do preço do alho chinês. No que se refere ao alho argentino, a Anapa argumenta que as importações estão crescendo rapidamente e que práticas comerciais desleais estão em jogo. Assim, solicitam que as mesmas sanções aplicadas ao alho chinês sejam impostas também ao produto argentino.
Sobre o alho da China, a entidade pede uma reavaliação dos parâmetros de preço, sugerindo até a possibilidade de revisão ou suspensão do modelo atualmente em vigor, que foi restabelecido em 2025.
Situação Crítica na Nova Safra
Outro aspecto que preocupa os agricultores é a situação alarmante relacionada à nova safra. Os estoques da colheita anterior ainda não foram completamente escoados, provocando acúmulo e problemas financeiros. No ano passado, o alho da China teve um aumento de aproximadamente 3 milhões de caixas em relação ao ano anterior. Por sua vez, no caso do alho argentino, entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, cerca de 5 milhões de caixas foram importadas, superando em 500 mil o total do mesmo período na safra anterior.
