O Estilo Mafioso na Política Moderna
Por uma curiosa coincidência histórica, o nome do atual presidente dos Estados Unidos pode ser intuitivamente ligado ao termo “Don”, que significa “Senhor”. Este título, usado historicamente na Sicília para designar poderosos proprietários de terras, acabou se popularizando ao ser associado a figuras influentes da máfia, especialmente após os icônicos filmes “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola, estrelados por Marlon Brando e Robert De Niro.
O fato é que o estilo de governar de Donald Trump se assemelha bastante à conduta de um mafioso no cenário político global. A seguir, analisamos alguns métodos frequentemente atribuídos à máfia aplicados por Trump em sua administração.
Extorsão e Chantagem: Táticas de Coerção
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Um dos métodos mais comuns da máfia, a extorsão, encontra paralelo nas políticas comerciais de Trump. Ele tem utilizado tarifas como uma estratégia de coerção econômica, forçando diversos países a aumentarem suas importações e investimentos nos EUA em troca de proteção comercial. A prática se torna ainda mais complexa, visto que as tarifas acabam sendo repassadas ao consumidor americano, atuando como uma espécie de imposto regressivo que financia um déficit resultante de cortes de impostos para os ricos e crescentes gastos militares.
A extorsão se manifesta também na relação dos EUA com as monarquias petrolíferas do Golfo, em que o país oferece proteção militar em troca de lucros significativos. Assim, a ofensiva de Trump contra o Irã se encaixa no papel dos Estados Unidos como guardião desses regimes, especialmente o da Arábia Saudita, a nação mais poderosa da região.
Ameaças e Violência: A Intimidação como Estratégia
Além da extorsão econômica, Trump não hesita em usar ameaças e até mesmo a violência para alcançar seus objetivos. Sua abordagem agressiva em relação a aliados, como a Dinamarca, onde tentou intimidar o governo para que cedesse a Groenlândia, demonstra uma nova era de pressão diplomática. O ex-presidente também se distancia da ideia tradicional de promover a democracia, optando por coagir regimes adversários a se submeterem aos interesses estadunidenses.
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Um exemplo emblemático foi sua tentativa de desestabilizar o governo venezuelano, utilizando métodos que remetem ao crime organizado para tentar derrubar Nicolás Maduro. Ao mesmo tempo, Trump mantém uma pressão constante sobre Cuba, buscando forçar uma mudança em sua independência política, e intensifica ataques ao Irã, com uma retórica que muitas vezes remete a um “beijo da morte” em relação ao líder supremo do país.
Hierarquia Familiar: O Clã Trump
Na estrutura da administração de Trump, a família ocupa um papel central, reminiscentemente à hierarquia de um clã mafioso. Ele próprio se posiciona como o “Poderoso Chefão”, enquanto seus filhos gerenciam a Trump Organization, que se beneficia de práticas que podem ser caracterizadas como mafiosas, incluindo negócios com monarquias do Golfo e uma imersão em atividades de jogos de azar.
Entre os subchefes do clã, destacam-se as famílias Kushner e Witkoffs, que têm lucrado com as táticas de Trump, além de figuras do setor tecnológico que fortaleceram suas alianças com o ex-presidente. A proximidade com influentes como Peter Thiel e Elon Musk exemplifica a intersecção entre o mundo da tecnologia e o estilo de governança de Trump.
Um Novo Padrão de Governança
É inegável que, antes de Trump, nunca houve um presidente dos EUA que apresentasse tanto afinidade com métodos tão polarizadores e agressivos. Ao contrário de Richard Nixon, que já foi considerado controverso em sua época, Trump trouxe um novo padrão ao estilo político na Casa Branca, caracterizado por uma comunicação marcada por teorias da conspiração e uma retórica exagerada. Ele representa, assim, o triunfo de um modelo de governança que, segundo muitos analistas, se aproxima mais do que seria esperado de um chefe da máfia do que de um líder democrático.
