Reconhecimento oficial impulsiona a tiquira maranhense
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu Indicação Geográfica (IG) à tiquira, tradicional destilado do Maranhão, destacando a bebida como o único destilado de mandioca com produção contínua e significativa no Brasil. Este reconhecimento, anunciado em 22 de agosto, reforça a importância da IG como instrumento de proteção legal e valorização econômica dos produtores locais, contando com apoio fundamental do Sebrae, que oferece capacitação e orientações para fortalecer a governança das associações envolvidas.
Impacto econômico e proteção da origem
Com a inclusão da tiquira, o Brasil soma 170 produtos com IG, sendo 136 Indicações de Procedência e 34 Denominações de Origem. Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, destaca que a IG assegura a exclusividade do nome ligado ao território, protegendo os produtores contra imitações e usos indevidos. Além disso, a certificação é um motor de desenvolvimento regional, agregando valor ao produto, atraindo turismo gastronômico e facilitando acesso a mercados mais exigentes no país e no exterior.
Tradição e técnica na produção da tiquira
A tiquira carrega em seu nome, derivado do tupi “tykir”, que significa “cair gota a gota”, a essência do seu processo artesanal de destilação. Produzida a partir da fermentação e destilação dos beijus de mandioca, a bebida preserva um conhecimento ancestral das populações indígenas, aprimorado ao longo de gerações. Diferente de destilados feitos com cana ou cereais, a tiquira exige técnica específica, como o controle preciso da torra dos beijus e o rigoroso manejo térmico nos alambiques.
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Fonte: daquidemanaus.com.br
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Fonte: bh24.com.br
Raízes históricas e importância para a agricultura familiar
Presente na história colonial do Maranhão, a tiquira se relaciona diretamente com a agricultura familiar e o processamento da mandioca, elemento central na segurança alimentar local. A região produtora, que inclui municípios como Urbano Santos — especialmente a comunidade de Guaribas — Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão, Santana do Maranhão e Santa Quitéria do Maranhão, depende da produção da tiquira para a subsistência de dezenas de famílias rurais, reforçando sua identidade territorial e econômica.
Transformação da produção e inserção no mercado
Tradicionalmente comercializada em circuitos locais de forma informal, a tiquira passou por uma modernização com o suporte técnico do Sebrae Maranhão, em parceria com gestores públicos e a Cooperativa de Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos (COOPTAF). A formação de cooperativas possibilitou a transição do método artesanal para agroindústrias regulamentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), garantindo adequação sanitária, controle de qualidade sensorial e padronização do teor alcoólico, sem perder sua base ancestral.
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Fonte: curitibainforma.com.br
O processo envolveu mapeamento geográfico, diagnósticos coletivos e elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, assegurando que a produção da tiquira respeite rigorosos critérios de origem e sustentabilidade. Essa conquista representa um avanço significativo para a economia local, ampliando oportunidades para os produtores e fortalecendo o mercado regional de bebidas tradicionais.
