Reconhecimento e Valorização dos Profissionais da Educação
Nesta quinta-feira, 30 de novembro, o governo de São Paulo realizará o depósito de quase R$ 1 bilhão em bônus para 188 mil profissionais da educação da rede estadual. Este valor, o maior dos últimos dez anos, é uma forma de reconhecer o trabalho de professores, gestores e equipes escolares no aprimoramento do aprendizado dos alunos.
A bonificação faz parte da política de valorização dos profissionais promovida pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), baseada nos resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo, o Saresp. Na edição de 2025, as escolas estaduais alcançaram a melhor média histórica em matemática no Ensino Fundamental, com melhora contínua em todas as séries.
Como Funciona o Bônus para Educadores
Os educadores da Seduc-SP que atingiram as metas estabelecidas para suas funções individuais ou para suas unidades de ensino são os que recebem a bonificação. No total, 3.760 escolas se destacaram e conquistaram a marca ‘ouro’. Agora, o valor médio a ser pago gira em torno de R$ 5.067 por profissional.
Segundo o secretário da Educação, Renato Feder, “o marco de R$ 1 bilhão em bônus é um reflexo de um trabalho contínuo e da dedicação dos profissionais da rede paulista. Além de matemática, houve também um aumento nas notas de todas as disciplinas em relação ao exame de 2024. Com o crescimento das médias, o valor total da bonificação e o número de beneficiados também aumentaram. Em comparação ao ano passado, 18% mais profissionais serão agraciados com o bônus”.
Além disso, este ano, a bonificação estará ligada também aos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2025, realizado a cada dois anos pelo governo federal. Professores de língua portuguesa e matemática dos 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, assim como da 3ª série do Ensino Médio, e as equipes gestoras que cumprirem as metas da Seduc-SP estarão elegíveis para um segundo bônus. As médias da rede estadual de São Paulo devem ser divulgadas pelo Inep em agosto, e o depósito ocorrerá em setembro.
Estratégias para Melhoria da Aprendizagem
Em um esforço para reverter resultados insatisfatórios ou manter as metas elevadas, os gestores das escolas paulistas adotaram diversas estratégias ao longo do ano letivo. Na E.E. Visconde de São Leopoldo, em Santos, a gestão se concentrou em três pilares: alinhamento da equipe, formação contínua dos professores e análise detalhada dos dados. “É essencial ter um professor bem preparado que possa conduzir as atividades do currículo em sala de aula. Após cada avaliação, nos reunimos para discutir os avanços e os aspectos que necessitam de ajustes”, explica Analdina Martes dos Santos, diretora da escola.
“Outra abordagem foi focar nas avaliações do Saresp e do Saeb. Organizamos aulas de tutoria e também oferecemos aulas eletivas para trabalhar a recuperação e o aprofundamento nas disciplinas, principalmente em matemática e língua portuguesa”, complementa a gestora. Com uma meta estipulada em 5,2 pontos, a escola alcançou um resultado final de 6,7 — 1,5 ponto acima do previsto pela Seduc-SP para a edição de 2025.
Resultados Positivos e Acolhimento dos Estudantes
No E.E. Professor Amador dos Santos Fernandes, localizado na zona leste da capital, o ensino da matemática foi além das avaliações formais e se tornou um atrativo para os alunos, garantindo um bom desempenho no Saresp. A unidade implementou uma moeda própria, o Amadolar, como incentivo para estudantes que realizam atividades e obtêm boas notas. Além disso, as turmas foram agrupadas de acordo com o nível de proficiência. Essas mudanças já eram visíveis antes mesmo dos resultados da Prova Paulista. Não surpreende que a escola tenha superado sua meta, registrando 7,2 pontos em 2025, em relação à meta de 5,2. “Estamos muito satisfeitos com o desempenho. Aqui, a palavra-chave é união e é um trabalho em equipe”, afirma Márcia Marcusso, diretora da escola.
Apoio Individualizado e Envolvimento da Comunidade
Na E.E. Professor José Juliano Neto, em São Carlos, a gestão enfrentou o desafio de atender a uma escola com quase 650 alunos em três turnos. “Nosso foco foi proporcionar atenção especial aos alunos com dificuldades, utilizando acompanhamento individualizado ou em pequenos grupos, especialmente nas aulas de tutoria e nas disciplinas eletivas. Esse suporte foi realizado por professores da própria escola, com a colaboração de alunos monitores”, comenta a diretora Regina Corsi. Para a edição de 2025, a meta era de 4,1 e as iniciativas implementadas asseguraram um resultado de 4,4. Além de superar a meta estabelecida pela Seduc-SP, 37 alunos foram aprovados no Provão Paulista e em outros vestibulares, incluindo dois estudantes do ensino noturno.
Em Campinas, a E.E. Professora Consuelo Freire Brandão enfrentou o desafio de manter uma meta elevada de 8,4. Vandete Ribeiro, diretora da unidade, atribuiu o sucesso a uma abordagem que vai além das salas de aula: o acolhimento diário. “Recebemos diariamente os 272 estudantes em nove turmas com jornada integral. Conhecemos o nome de cada aluno e contamos com o apoio de pais e responsáveis. Esse acolhimento, sem dúvida, é um dos principais fatores que nos levaram a alcançar resultados tão positivos”, finaliza.
Cálculo do Bônus do Saresp
O cálculo do bônus dos profissionais da educação é baseado nas notas dos alunos em todas as séries e disciplinas avaliadas no Saresp do Ensino Fundamental e Médio. Além disso, são consideradas a evolução na aprendizagem, a frequência dos alunos e a participação deles no Saresp. As metas fixadas para cada unidade de ensino servem como referência para determinar o valor a ser pago aos docentes das disciplinas não avaliadas, incluindo Educação Física e outras eletivas, além de gestores e profissionais de apoio.
