Encontro Nacional em Prol da Cultura
No dia 23 de outubro, mestres, mestras e integrantes de diversas manifestações culturais do Brasil se reuniram virtualmente para participar do Pré-Fórum Cultura Viva de Culturas Tradicionais e Populares. A transmissão ocorreu pelo canal do Pontão de Cultura Rede das Culturas Populares e Tradicionais (RCPT), que juntamente com um Grupo de Trabalho da Comissão Nacional de Pontos de Cultura (CNPdC) organizou o evento. O principal objetivo do encontro foi discutir as contribuições das culturas populares e tradicionais para a Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), com foco nos temas que serão abordados na 6ª Teia Nacional, programada para ocorrer entre os dias 24 e 29 de março de 2024, em Aracruz, no Espírito Santo. As discussões realizadas durante a reunião gerarão um documento que servirá como suporte para os debates que acontecerão durante o evento no Espírito Santo.
A secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Márcia Rollemberg, destacou a relevância do tema central da Teia deste ano, que é “Pontos de cultura pela justiça climática”. Ela enfatizou a necessidade de reflexão sobre a existência da Terra e a responsabilidade da humanidade em sua preservação. “É vital que nutramos nossa intervenção no planeta de forma harmônica com a natureza. Precisamos aprender com as culturas tradicionais e populares a cuidar dos recursos naturais, como água e alimentos, e a respeitar todos os seres vivos”, declarou Rollemberg.
A Cultura como Mediadora de Mudanças
Durante suas considerações, Márcia fez alusão ao fato de Aracruz, sede do encontro, possuir a maior população indígena em áreas de aldeias no Espírito Santo, uma região que enfrentou desastres ambientais significativos. Ela sublinhou a capacidade da cultura de ser um catalisador para encontrar soluções coletivas. “Os mestres e mestras nos ensinam que o mundo pode ser transformado a partir de novos paradigmas. Queremos revigorar essa inteligência ancestral, compartilhar experiências e construir propósitos comuns, promovendo uma cultura de paz e respeito”, afirmou.
O diretor da PNCV, Tião Soares, por sua vez, trouxe à tona uma discussão sobre as desigualdades sociais no contexto da crise climática. Ele ressaltou que é imprescindível abordar temas como racismo institucional e ambiental, afirmando que as desigualdades exacerbam os impactos das mudanças climáticas. “É preciso reconhecer como as políticas públicas têm empurrado populações para áreas vulneráveis e invisibilizado as demandas das comunidades negras e indígenas”, destacou.
Reflexões sobre Soberania e Democracia
João Pontes, diretor da PNCV, comentou que a soberania e a democracia estão intimamente ligadas aos pontos de cultura e às culturas tradicionais. Ele enfatizou que a 6ª Teia Nacional será um marco significativo para a cultura brasileira. “Estamos trabalhando para mostrar que os grupos comunitários são a força política mais relevante da cultura no Brasil”, afirmou Pontes, mencionando que o evento servirá como um momento de avaliação e reflexão sobre os avanços e desafios enfrentados na promoção da Cultura Viva.
Com a celebração de marcos importantes, como o crescimento do número de pontos de cultura em todo o país, passando de 4 mil para mais de 14 mil em quatro anos de gestão, Pontes expressou otimismo. “Em 2026, comemoraremos 22 anos da Cultura Viva. Acreditamos que é possível fortalecer ainda mais as políticas culturais que valorizam a diversidade”, acrescentou.
A Importância da Participação Comunitária
Bell Galvão, representante do Ponto de Cultura Coletivo Bela, ressaltou a importância da participação ativa na Teia após 12 anos da última edição. Ela destacou que a construção de redes é essencial para discutir o papel dos pontos de cultura e fortalecer a Cultura Viva no Brasil. “É fundamental entender o que significa ser um ponto de cultura em um país tão diverso como o nosso”, afirmou.
Durante as discussões, mestras e mestres de todo o Brasil compartilharam suas perspectivas sobre tópicos relevantes que deveriam ser abordados em Aracruz. Daraína Pregnolatto, do Ponto de Cultura Quintal da Aldeia, enfatizou a relação das culturas populares com os territórios rurais e a importância de dar voz às gerações mais velhas e jovens. “Precisamos garantir a continuidade do nosso legado cultural”, advertiu.
Formação e Futuro das Culturas Tradicionais
A mediadora Dane de Jade apresentou a Rede de Culturas Populares e Tradicionais (RCPT), que desde sua criação em 2006, tem trabalhado para mapear e formar agentes no campo cultural. A RCPT agora integra a Rede Nacional de Pontões de Cultura e tem promovido cursos de formação em parceria com a Universidade Regional do Cariri (URCA). “É essencial que novas gerações tenham acesso ao conhecimento das culturas populares para que esses saberes não se percam”, concluiu Dane de Jade.
