A Cultura como Fonte de Renda
A 39ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, com o tema “Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda”, foi anunciada na última terça-feira (3) durante o 1º Fórum do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural. O evento, realizado na Universidade de Brasília (UnB), também marcou a abertura das inscrições para os projetos da próxima edição, com prazo até 24 de abril, disponível no site premiorodrigo.iphan.gov.br.
Promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o prêmio tem como objetivo reconhecer as melhores iniciativas de preservação e promoção do Patrimônio Cultural do Brasil. Para esta edição, serão contemplados projetos desenvolvidos entre os anos de 2023 e 2025 que contribuam para a valorização de ofícios, ofereçam formação para atividades criativas, garantam remuneração justa ou promovam a inserção profissional da juventude. Os projetos podem abranger bens culturais materiais ou imateriais, independentemente de seu reconhecimento formal como patrimônios.
O presidente do Iphan, Leandro Grass, ressaltou a relevância do tema no contexto atual do Brasil, especialmente em um momento em que se discute a flexibilização da carga horária de trabalho. “Este ano, abordamos a questão da ocupação profissional em um período em que buscamos que todos os trabalhadores, incluindo os da cultura, tenham mais tempo para vivenciar suas comunidades e fortalecer seus laços espirituais e sociais”, destacou.
Reconhecimento e Evolução
Durante a cerimônia, também foram homenageados os 18 vencedores da edição de 2025, cujo tema foi “Patrimônio Cultural, Territórios e Sustentabilidade”. Essa categoria focou na valorização de contextos urbanos, rurais e periféricos, além de promover a sustentabilidade social, ambiental e econômica. Cejane Pacini, diretora do Departamento de Articulação, Fomento e Educação do Iphan (Dafe/Iphan), enfatizou a importância da troca de experiências entre os premiados para incentivar mais inscrições nas futuras edições.
O histórico de temas do Prêmio Rodrigo revela um papel fundamental na valorização de grupos historicamente marginalizados. Desde sua criação em 1987, a competição tem acompanhado uma evolução significativa nas propostas apresentadas. Em 2023, 66% dos proponentes se identificaram como pretos e pardos, refletindo a busca por maior diversidade. Já em 2024, 70,8% das inscrições foram feitas por mulheres, o maior índice até então.
Em 2025, 78% das ações vencedoras vieram das regiões Norte e Nordeste, com uma tendência crescente de projetos realizados em conjunto com comunidades tradicionais. A inclusão dessas vozes sub-representadas tem sido um reflexo direto do compromisso do prêmio em promover a pluralidade.
Desafios e Sustentabilidade
Com a edição de 2026, o desafio é enfrentar a falta de sustentabilidade econômica que afeta muitos projetos culturais. Dados preliminares da pesquisa “Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade”, realizada em parceria com o Observatório da Economia Criativa da Bahia (Obec Bahia), indicam que 64% dos agentes culturais veem a dificuldade financeira como o maior obstáculo à preservação do patrimônio. Surpreendentemente, apesar de 46% dedicarem mais de 40 horas semanais a essas iniciativas, apenas 27% conseguem viver exclusivamente de sua atividade cultural.
A atual edição do prêmio busca demonstrar que a preservação do patrimônio cultural pode ser uma fonte de sustento, valorizando ofícios tradicionais e criando oportunidades para os jovens. Assim, a 39ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade premiará 18 ações exemplares, oferecendo R$ 40 mil para cada um dos vencedores, como forma de reconhecimento e estímulo ao trabalho realizado.
Como Participar
Os interessados em concorrer devem se inscrever em uma das quatro categorias disponíveis:
- Pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEI) ou microempresas (ME);
- Cooperativas, associações e grupos ou coletivos não formalizados;
- Demais empresas e institutos privados;
- Entidades da administração pública direta e indireta, municipal, estadual ou federal.
O concurso contempla três etapas: habilitação, estadual e nacional, sendo que a primeira etapa irá avaliar a conformidade dos documentos exigidos no edital. As ações habilitadas seguirão para a avaliação estadual, onde as Comissões Estaduais do Iphan selecionarão as cinco melhores propostas por estado, com divulgação do resultado até 28 de julho.
A última fase, a Etapa Nacional, envolverá a análise técnica e de mérito, culminando na divulgação das 30 ações finalistas até 25 de agosto, seguidas pela defesa oral dos proponentes perante a Comissão de Mérito, com os vencedores sendo anunciados até 16 de outubro.
Esta edição inovadora ainda trará um reconhecimento adicional para ações desenvolvidas em municípios da Faixa de Fronteira, que receberão cinco pontos extras na avaliação.
