O Empoderamento Feminino no Agronegócio
A presença da mulher no agronegócio brasileiro evoluiu de uma função secundária para um papel central em áreas como a liderança, gestão e sucessão familiar. Este movimento se torna ainda mais robusto quando mulheres se organizam em redes, promovendo a troca de conhecimento e o apoio mútuo. No sudoeste do Maranhão, o grupo AgroUnidas Nacional se destaca como um exemplo emblemático dessa transformação, reunindo produtoras rurais com o objetivo de fortalecer a atuação feminina no setor e fomentar conexões entre aquelas que atuam na pecuária e na agricultura.
Fundado em meados de 2025, após um encontro de mulheres do agro em Porto Franco, o AgroUnidas já conta com mais de 100 integrantes e se estabelece como um espaço de troca de experiências e aprendizado sobre gestão de propriedades, sucessão familiar e desafios cotidianos no campo.
Iniciativas que Fazem a Diferença
A proposta do AgroUnidas Nacional vem se fortalecendo por meio de ações práticas. Em fevereiro deste ano, o grupo realizou seu primeiro Dia de Campo, que reuniu produtoras, técnicos e instituições parceiras para discutir inovações tecnológicas, práticas de manejo e tendências de mercado. Este evento foi um marco na consolidação do grupo, conforme destaca a vice-presidente, Eulina Diniz: “Estamos transbordando de alegria. É um sucesso. Conseguimos passar bastante conhecimento para o pessoal. É um marco no nosso grupo”.
A história de Eulina é um exemplo do poder da superação. Crescendo em um ambiente rural, ela assumiu a gestão da propriedade aos 16 anos, após a morte do pai, e desde então tem se dedicado a transformar a fazenda em um espaço de sucesso e aprendizado.
Trajetórias Inspiradoras
Rossi Cavalcanti, atual presidente do AgroUnidas Nacional e proprietária da Fazenda Bom Sossego, também compartilha uma trajetória de desafios e conquistas. Iniciou sua jornada no agronegócio aos 16 anos e, após a morte do pai em 2017, tomou à frente da gestão da propriedade, preparando agora seus filhos para continuarem a tradição familiar. Ambas as histórias refletem uma realidade crescente no campo: mulheres que, além de liderarem, tomam decisões estratégicas e gerenciam a produção de forma eficiente.
Rossi enfatiza que a presença feminina no agronegócio não deve ser vista apenas como uma luta contra preconceitos, mas como uma demonstração de resultados concretos. “O preconceito é problema do outro, não é meu. Não tem preconceito que resista a resultados”, afirma, destacando que o foco deve estar no trabalho e nas conquistas.
O Desafio da Modernização
A velocidade das transformações no setor agropecuário representa outro desafio significativo para essas mulheres. “Tudo muda muito rápido. A maior dificuldade é estar adequada sempre a essa nova situação”, aponta Rossi. Diante disso, iniciativas como o AgroUnidas Nacional surgem como soluções para promover atualização e troca de experiências, representando um espaço de inspiração e aprendizado contínuo.
Impacto Econômico e Crescimento da Liderança Feminina
O aumento da presença feminina no agronegócio vai além da representatividade; está diretamente ligado à dinâmica econômica do setor e à modernização da gestão rural. Segundo o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio de 2025, elaborado pelo Cepea e pela CNA, as mulheres ocupam cerca de 37% das vagas no agronegócio brasileiro, totalizando mais de 10 milhões de trabalhadoras. A pesquisa aponta que a participação feminina cresce a um ritmo superior ao masculino, especialmente em funções de gestão e qualificação técnica.
Aline Maracaípe, analista do Sebrae e gestora de empreendedorismo feminino na Unidade Imperatriz, destaca que a organização em rede é crucial para consolidar esse avanço. Segundo ela, “a mulher sempre esteve no campo, mas muitas vezes invisibilizada na gestão. Quando ela passa a se reconhecer como empresária rural, muda a forma como administra e busca capacitação”.
O Crescimento do Empreendedorismo Feminino
Outro dado relevante é o crescimento do empreendedorismo feminino no Maranhão. De 2024 a 2026, o número de micro e pequenas empresas comandadas por mulheres no estado aumentou de 118.360 para 145.367, destacando o papel das Microempreendedoras Individuais. O programa Sebrae Delas tem sido fundamental para apoiar mulheres empreendedoras, oferecendo capacitação e estímulos ao desenvolvimento pessoal e empresarial.
Além disso, o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, uma das principais premiações do país, reconhece as mulheres que lideram negócios inovadores. Na edição de 2025, o Maranhão se destacou com duas empreendedoras vencendo a etapa nacional, refletindo a força do empreendedorismo feminino no estado.
