Controvérsias e Acusações no Governo do Rio de Janeiro
O advogado Victor Travancas foi exonerado de sua função como assessor na Secretaria Estadual da Casa Civil do Rio de Janeiro após fazer graves declarações contra o governador Cláudio Castro (PL). Durante uma entrevista ao podcast do ex-governador Anthony Garotinho, Travancas afirmou que “o Palácio Guanabara é a sede do crime organizado”. As declarações chamaram a atenção e geraram repercussão nas redes sociais, onde Garotinho, inicialmente, compartilhou trechos da conversa, mas posteriormente excluiu os vídeos. Apesar disso, a gravação completa continuava disponível no canal do YouTube do programa na noite de sexta-feira.
“Eu costumo dizer que o Palácio Guanabara é o gabinete do crime organizado do Rio de Janeiro. O crime organizado no Rio, na verdade, funciona dentro do Palácio Guanabara”, destacou Travancas. Segundo o ex-assessor, as nomeações feitas por Cláudio Castro têm seguido critérios questionáveis, resultando na escolha de indivíduos com antecedentes criminais para ocupar cargos públicos.
Pedido de Exoneração Negado
Durante a entrevista, Travancas revelou que havia tentado se desligar do cargo desde o início do ano, mas seu pedido havia sido continuamente negado. Após a veiculação das polêmicas declarações, a exoneração do advogado foi publicada na edição especial do Diário Oficial, confirmando a rescisão de seu vínculo com o governo.
Travancas, que atuava como responsável pelo compliance do gabinete no ano de 2024, também comentou que havia notificado o governador sobre diversas irregularidades relacionadas à Fundação Ceperj, que agora trazem consequências legais para ele na Justiça Eleitoral. O governo do estado não se manifestou sobre as acusações até o fechamento desta matéria.
Críticas a Nomeações Suspeitas
As declarações de Travancas não pararam por aí. Ele criticou publicamente outras nomeações feitas por Castro, como a do ex-deputado federal André Moura (União), que foi exonerado recentemente do cargo interino de secretário de Representação do Governo no Brasília, mas ainda se mantém à frente da Secretaria de Governo. Em tom de reprovação, Travancas comentou que Moura se referia ao ex-deputado estadual TH Joias, atualmente preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho, como “um grande amigo”.
Além disso, o advogado acusou o gabinete do governador de ter mentido ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao desmentir, em uma carta enviada ao magistrado, que ele estava por trás da articulação que resultou na saída do deputado estadual Rafael Picciani (MDB) da Assembleia Legislativa, que possibilitou a entrada de TH Joias como suplente em 2024.
Denúncias Controversas e Efeito Político
Travancas aludiu também à nomeação do ex-subsecretário estadual José Carlos Costa Simonin, cujo filho está entre os investigados pelo crime de estupro coletivo em Copacabana. A exoneração de Simonin aconteceu logo após o escândalo se tornar público, levantando ainda mais suspeitas sobre a conduta do governo.
As declarações feitas pelo ex-assessor foram compartilhadas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), em uma publicação no X. Paes criticou as ações do governador, especialmente em relação à prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), que foi libertado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio na última sexta-feira. “Não sei se o que esse rapaz diz há 3 anos sobre o chefe dele é verdade. Por si só, o fato de ele não ser exonerado demonstra um medo enorme do que ele possa saber e contar”, escreveu Paes, acrescentando que, se as acusações forem verdadeiras, muitas ilegalidades podem estar sendo encobertas.
Histórico de Exonerações
Victor Travancas é uma figura conhecida no governo, dado seu histórico de exonerações e suas denúncias frequentes contra administrações nas quais trabalhava. Em janeiro de 2024, foi nomeado subsecretário adjunto do gabinete de Cláudio Castro, mas pediu exoneração em setembro do mesmo ano. Após um breve período fora, assumiu o cargo de diretor do Arquivo Público do Estado do Rio, porém foi exonerado menos de um mês depois. Embora tenha retornado ao Palácio em julho, como assessor na Secretaria da Casa Civil, sua luta para se afastar do cargo parece ter culminado agora em sua exoneração definitiva.
