Medidas de Controle da Leishmaniose Visceral Canina
A Secretaria Municipal de Saúde de Imperatriz, através da Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) e do Departamento de Controle de Vetores, tem intensificado esforços para o monitoramento e controle da leishmaniose visceral canina, popularmente conhecida como calazar. Essas ações estão concentradas em localidades com maior incidência da doença.
No momento, 15 áreas foram destacadas como prioritárias, totalizando cerca de oito mil cães e abrangendo 1.013 quarteirões e 33.849 imóveis. Nesses locais, são realizadas visitas domiciliares, testes e o encoleiramento dos animais, estratégias fundamentais para frear a propagação da doença.
De acordo com os dados mais recentes, em 2024, foram identificados 670 casos positivos em cães. No período de janeiro de 2025 a março de 2026, 522 novos casos foram confirmados, indicando uma significativa queda de aproximadamente 22% na incidência.
O último ciclo de encoleiramento resultou na colocação de coleiras em 7.201 cães, alcançando 95,5% da meta estipulada, um avanço que ultrapassou as expectativas iniciais. Adicionalmente, foram realizados testes em 3.786 animais, e o município está aguardando a chegada de uma nova remessa de coleiras para dar continuidade às atividades de controle.
Allan Dantas, coordenador do Departamento de Controle de Vetores, ressaltou a importância do Programa de Encoleiramento Canino, que segue as orientações do Ministério da Saúde para minimizar a transmissão da doença. “Através da utilização de coleiras repelentes impregnadas com deltametrina a 4%, conseguimos inibir a presença do vetor Lutzomyia longipalpis nas áreas afetadas. Essas coleiras são aplicadas nos cães, que atuam como os principais reservatórios da doença na zona urbana, formando a última barreira contra o vetor e a população humana”, explicou Dantas.
Triagem e Sinais Clínicos nos Cães
As iniciativas de combate ao calazar ocorrem em ciclos de seis meses, que correspondem à validade das coleiras. Durante essas visitas, os Agentes de Combate às Endemias realizam triagens com testes rápidos e, quando necessário, coletam material para exames laboratoriais.
Paulo Henrique Soares, coordenador da Unidade de Vigilância em Zoonoses, recomendou que os tutores fiquem atentos aos sinais clínicos da leishmaniose nos cães. “Os principais sintomas incluem ferimentos no focinho e nas pontas das orelhas, emagrecimento, lesões ao redor dos olhos, descamação da pele, crescimento exagerado das unhas e sangramento nasal”, alertou.
Impacto da Leishmaniose Visceral em Humanos
Em humanos, a leishmaniose visceral pode se manifestar como uma doença sistêmica grave, apresentando febres prolongadas, perda de peso, fadiga, anemia, além do aumento do fígado e do baço. Sem um tratamento adequado, a doença pode evoluir para quadros ainda mais severos, tornando fundamental a busca por assistência médica ao surgirem os primeiros sintomas.
Diante dos mitos sobre a transmissão, o coordenador da UVZ esclareceu que os cães não transmitem a doença diretamente para os humanos. “Um cão infectado com calazar não transmite a doença diretamente. Contudo, se o mosquito-palha picar um cão doente e, em seguida, picar uma pessoa, a transmissão pode ocorrer”, afirmou.
Tratamento e Prevenção
No que diz respeito ao tratamento dos cães, não há cura definitiva para a leishmaniose, mas existem protocolos que ajudam a controlar a doença e melhorar a qualidade de vida dos animais. Já para os humanos, o tratamento está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é especialmente eficaz quando iniciado precocemente.
