Tecnologia Avançada para Mapeamento de irrigação
A Embrapa Territorial, localizada em São Paulo, criou uma metodologia inovadora que utiliza imagens de satélite e Inteligência Artificial (IA) para monitorar a irrigação em áreas agrícolas. Esse avanço, que contempla a análise dos índices de umidade do solo, atende uma demanda do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) para o acompanhamento e a implementação de políticas públicas relacionadas à irrigação. Atualmente, o método está sendo aplicado no mapeamento de cinco polos de irrigação nos estados de Goiás e Mato Grosso.
Rafael Mingoti, analista da Embrapa Territorial responsável pelo mapeamento inicial em Goiás, aponta que o principal desafio estava em mapear as variações entre as safras. Ele explica que o simples registro dos círculos formados pelos pivôs centrais no solo não seria adequado, já que essas marcas permanecem visíveis de um ano para o outro, dando uma falsa impressão sobre a irrigação. A diversidade nos métodos de irrigação utilizados pelos produtores também complicava o cenário. Mingoti afirma: “Nosso foco é identificar áreas que foram efetivamente irrigadas no ano em questão, e não apenas aquelas que possuem a infraestrutura necessária”. Para isso, a equipe passou a analisar a umidade do solo com base em dados coletados de imagens do satélite Sentinel-2, que são de média resolução e acessíveis gratuitamente.
Desafios e Estratégias na Irrigação
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No estado de Goiás, a irrigação é geralmente utilizada durante o verão, que coincide com a época de chuvas, ao invés de no período de seca. Com as mudanças climáticas e a frequência prolongada de veranicos, os agricultores têm se valido da irrigação para prevenir perdas significativas nas safras. Antônio Guimarães Leite, coordenador-geral de sustentabilidade de projetos e polos de irrigação do MIDR, destaca que esse recurso é amplamente utilizado em várias regiões do Brasil, visando otimizar a produção agrícola e até mesmo antecipar a primeira colheita do ano. Isso possibilita uma extensão da janela de cultivo, permitindo que em algumas situações, até três colheitas sejam realizadas no mesmo ano.
Entretanto, uma questão relevante surge: como diferenciar se a umidade do solo se deve à irrigação ou à chuva? Mingoti esclarece que outros indicadores são considerados, uma vez que geralmente as áreas irrigadas apresentam formatos regulares e dimensões mais amplas, como retângulos, círculos ou triângulos.
Avanços na Medição das Áreas Irrigadas
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Além da localização, o MIDR requer informações precisas sobre o tamanho das áreas irrigadas. O novo método desenvolvido pela Embrapa Territorial utiliza recursos de sensoriamento remoto com radar para determinar a extensão total. Ao contrário da abordagem tradicional, que soma pixels, a técnica de vetorização delineia o contorno real do terreno irrigado. Na contagem por pixels, o sistema considera todo o quadro da imagem, mesmo que parte da área não receba irrigação. Mingoti explica: “Com a vetorização, eliminamos erros nas medições, proporcionando uma avaliação muito mais precisa”.
Recentemente, o método foi aplicado em dois polos de irrigação em Goiás (Planalto Central e Vale do Araguaia) e em três no Mato Grosso (Sul, Médio Norte e Araguaia-Xingu). Os mapeamentos dos primeiros polos já foram entregues ao Ministério, enquanto os demais estão em validação. Os dados coletados indicaram um aumento de 7 mil hectares nas áreas irrigadas entre 2023 e 2024 na região central de Goiás, abarcando os 24 municípios locais. Esses dados não apenas permitirão uma avaliação mais frequente das políticas públicas, mas também visam a integração ao Sistema Nacional de Informações sobre Irrigação (Sinir).
A Irrigação como Catalisador do Desenvolvimento Regional
A irrigação se consolida como um fator crucial para o desenvolvimento regional, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Segundo Leite, os municípios que adotam a irrigação frequentemente apresentam melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Por exemplo, na fruticultura, um hectare irrigado pode gerar até três empregos, mostrando-se uma maneira eficaz de fomentar renda e trabalho.
De décadas de investimentos federais na irrigação, surgia a necessidade de informações mais precisas. Até os anos 2000, o levantamento sobre o uso da irrigação era feito por meio de dados coletados junto às secretarias estaduais de agricultura, resultando em estatísticas imprecisas. Com o lançamento do Atlas Irrigação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em 2017, foi identificado que a maior parte das áreas irrigadas estava fora dos programas oficiais, acendendo o alerta para a necessidade de melhorias nas políticas de irrigação.
A partir de 2019, a ANA começou a organizar o território em polos de irrigação, estabelecendo diálogos com entidades que representam os agricultores para estimular a adoção dessa tecnologia de maneira estruturada. Leite ressalta que, por meio dessa interação, foram identificadas necessidades distintas, como a realização de estudos técnicos para apoiar a análise de pedidos de outorga para uso da água e a construção de infraestrutura necessária para aumentar a produção. Com os programas em andamento, surgiu a demanda por mapeamentos frequentes, possibilitando monitorar e avaliar a eficácia das iniciativas. “Buscamos a Embrapa Territorial para desenvolver um método que permitisse verificar a situação nos polos em que o Ministério já atua. A expansão da área está realmente dentro do previsto?” conclui o coordenador-geral do MIDR.
